Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    “Como é que irão viver os que virão depois, já que a única coisa que importa é o triunfo do agora?” Esse questionamento do escritor José Saramago, leva a conclusão de que há, de fato, uma cegueira da razão. Nessa lógica, cabe uma análise sobre a questão do lixo, que exige uma discussão mais ampla sobre não ser um problema somente de caráter ambiental, mas também de saúde e qualidade de vida. 
           Em uma primeira abordagem, cabe ressaltar que o lixo é um fenômeno puramente humano, uma vez que na natureza não existe, pois tudo se renova. Logo, o lixo tornou-se uma questão que excede à capacidade dos órgãos governamentais e necessita da participação da sociedade para sua solução. O mais preocupante, contudo, é constatar que meio ambiente e ecologia são assuntos incômodos para lideres governamentais, por colocam em evidência a difícil relação entre sociedade de consumo e natureza. Como se vê, com o culto ao novo, ao tecnológico, produtos que poderiam durar anos passam a ser descartados em tempo curtíssimo e de forma inadequada. Aliás, o documentário “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, critica o modo como a economia gera desigualdade e aborda o desperdício de comida e produção descontrolada do lixo.
          Outro ponto que precisa de olhar atento é o enorme volume de lixo tecnológico gerado pela febre contemporânea no Brasil. Vale ressaltar, ainda, que existem países virando “depósitos de lixo” tecnológico de países ricos, como é o caso de Gana. Convém, é claro, perceber que esse lixo, além de da contaminação do solo e prejuízos à agricultura e a lençóis freáticos, também afeta crianças e adultos que trabalham nos lixões em busca de materiais que possam ser vendidos. Assim, fica claro a questão social que envolve a problemática, decorrente dos lixões serem uma prova viva da exclusão social e degradação humana. 
           É determinante, então, para a desconstrução desse cenário que o Estado promova ações, como soluções dinâmicas para a questão ambiental servindo-se de pesquisas universitárias e subsídios federais para a manutenção de políticas de limpezas das cidades, reciclagem, monitoramento do descarte de resíduos industriais e, ainda, organização na coleta de resíduos tecnológicos.  Além disso, a fim de atenuar o problema, o Ministério da Educação deve alterar a grade curricular, criando uma nova disciplina que aborde as questões relacionadas à sustentabilidade e à coleta seletiva, necessária ao acesso a informação e estímulo ao exercício de cidadania.Por fim, o cidadão dever ter uma mudança de hábito quando ao descarte e produção excessiva, com atitudes simples de jogar lixo na lixeira, fazer uso da reciclagem e da reutilização, entre outras. Uma vez que deve se pensar, também, no bem-estar das próximas gerações fazendo uso da natureza de forma sustentável e harmônica.