Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    De acordo com o Artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família humana tem direito à qualidade de vida. Entretanto, mesmo após  70 anos da assinatura desse documento, a sociedade brasileira ainda vivencia a persistência da péssima gestão do lixo. Nesse sentido, Estado e sociedade devem buscar caminhos não somente para melhorar a coleta de lixo, mas também para educar a população acerca do tema.
          A coleta seletiva encontra-se , em um primeiro plano, sucateada pelo investimento minúsculo do poder público. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, autor da celebre obra "Leviatã", é papel da União manter a sociedade em harmonia social. No entanto, não existe nenhuma lei destinada à regulamentação de uma quantidade mínima do PIB para a coleta de lixo. Por conseguinte, pela falta de investimento, ocorre o descarte incorreto dos dejetos e isto gera a contaminação do solo, da água e do ar - provocando doenças respiratórias e cânceres. Logo, as prefeituras, subsidiadas pelo Ministério do Meio Ambiente, devem aumentar seu orçamento na coleta seletiva, através da criação e da reforma das unidades de reciclagem espalhadas pelo Brasil, além de criar uma lei municipal em que o gasto per capita na coleta de lixo acompanhe a média mundial, e posto isso o Estado possa mudar essa alarmante situação e cumprir o seu dever.
          Em paralelo a essa questão, a falta de aulas desde os anos iniciais a respeito do destino final do lixo corrobora para a atual conjuntura alarmante. Um bom exemplo disso foi o acidente radioativo em Goiânia, ocasionado pela abertura de uma máquina de Raio-X, por catadores de ferro, com um elemento radioativo dentro: o Césio-137, ocasionando diversas mortes. Isso deixa perceptível como a educação é essencial para evitar outros incidentes como esse, visto que ao saber dos cuidados e dos perigos na hora de eliminar o lixo evitaria-se esse descarte incorreto. Deste modo, ONG's, com aporte do Ministério da Saúde, devem criar aulas e palestras lúdicas sobre a importância do destino correto do lixo, somado a explicar a importância da política dos 4R's (Reciclar, Reduzir, Reutilizar e Repensar), resultando em um melhor destino ao lixo e criar um país consciente do seu papel.
         O investimento na coleta e a criação de aulas sobre a gestão do lixo são, portanto, alternativas para melhorar a gestão de lixo no Brasil. Para tanto, além das medidas citadas, os canais de TV aberta têm papel de criar programas de debate, em horário nobre, com a participação de pessoas que vivem em lixões, vítimas do incidente em Goiânia e especialistas, ambientalistas e professores, para debater acerca do tema, haja visto que este causa forte impacto social. Afinal, assim será possível melhorar o destino do lixo e formar um país mais preocupado com os direitos humanos da sua população.