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    De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a DUDH, da qual o Brasil é signatário desde 1948, todo membro da família humana tem direito a uma vida digna. No entanto, a má gestão de lixo no Brasil é um problema que infringe diretamente a dignidade humana, haja vista que além de poluir o ambiente, propicia a disseminação de doenças. Por conseguinte, coletividade e poder público devem unir-se objetivando encontrar alternativas para melhorar a gestão de lixo no país.
         A princípio, o mau hábito da população quanto ao descarte de lixo é o principal fator contribuinte para esse alarmante cenário. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua célebre obra "Modernidade Líquida", a velocidade é a principal característica dos dias atuais. Nesse sentido, os cidadãos, movidos pela "correria" do dia a dia, especialmente nas grandes cidades, não preocupam-se em destinar corretamente os resíduos e acabam descartando em ruas, córregos e terrenos baldios. Dessa maneira, além de entupir bueiros e, consequentemente, causar enchentes, esses resíduos causam poluição do solo e eutrofização de corpos d'água.
         Outro fator determinante dessa preocupante realidade é o baixo investimento governamental para a gestão de lixo. De acordo com pesquisas da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza, apesar de ser um dos países que mais produzem resíduos do mundo, apenas 58% desses são destinados de forma correta. Desse modo, o lixo excedente quase sempre é encaminhado à lixões a céu aberto, o que favorece a proliferação de ratos e insetos - potenciais transmissores de graves doenças-.  
         Conscientizar a população e direcionar mais verbas governamentais à gestão de lixo são, portanto, as principais alternativas para melhorar esse cenário alarmante. Para tanto, os cidadãos socialmente engajados devem, através de anúncios nas redes sociais - visto que têm um grande alcance -, elaborar mutirões de limpeza e palestras educativas nos bairros e nas comunidades, orientando os moradores sobre a importância da correta destinação do lixo e incentivando-os a praticarem a coleta seletiva. Ademais, as prefeituras, com aporte financeiro da União, devem aumentar o investimento na construção de aterros sanitários e usinas de compostagem, a fim de não só tratar corretamente o lixo, mas também reutilizá-lo como adubo nas usinas e reciclá-lo. Desse modo, será possível melhorar a gestão de lixo no país e, assim, garantir a plena dignidade dos cidadãos.