Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

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    No segundo episódio da trilogia "Star Wars", para escapar de Darth Vader, Han Solo esconde a nave Millenium Falcon em uma pilha monumental de lixo espacial, despistando o vilão. Saindo da ficção, o destino dos despejo no Brasil é menos distante e mais prejudicial: toneladas de resíduos sólidos são inadequadamente descartados em lixões e aterros, poluindo o meio ambiente e colocando em risco a saúde da população local, tornando-se imprescindíveis mudanças para resolver a questão.
      É indubitável que o direcionamento do lixo para lugares impróprios podem causar consequências alarmantes. Segundo um levantamento inédito feito pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública), o Brasil tem hoje quase 3 mil lixões ou aterros irregulares. Diante disso, é evidente perceber que, embora exista uma lei que baniu os lixões, eles ainda estão presente e impactando na qualidade de vida da população, uma vez que os lixões produzem gás metano e chorume- respectivamente grandes responsáveis pelo aquecimento global e contaminação de lenções freáticos. Ademais, como se não bastasse, esses locais ainda atrai vetores de doenças, tais como, hepatite e dengue, colocando em risco a vida de pessoas que residem próximos a essas áreas.
      Contudo, a questão está longe de ser resolvida. A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. Assim, de acordo com o filósofo Karl Marx, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da compra de um produto. Diante disso, as pessoas se tornam cada vez mais alienadas, consumindo mais sem necessidades e, concomitantemente, enquanto esse consumo aumenta gradativamente, a produção de lixo, como consequência, aumenta na mesma proporção. E embora os detritos só aumentem, há poucas empresas que reciclam esse lixo, e as que reaproveitam deixam os produtos reciclados mais caros que os novos.
      Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Em parceria com a Receita Federal, as prefeituras devem incentivar a abertura de empresas de reciclagem, por meio da doação de terrenos para construí-las e diminuindo seus impostos para incentivar o reúso, de modo que não precisem aumentar os preços de venda dos itens fabricados para obtenção de lucros maiores. Assim, estará dando utilidade a algo que até então era descartado e mesmo assim continuava impactando a vida de muitas pessoas, pois como já ensinava um antigo ditado Oriental, "o seu lixo sempre volta a sua porta, cabe você escolher a cara dele".