Lixo e cidadania: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Envie sua redação para correção
    Sob a concepção filosófica de Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. No entanto, percebe-se que, no Brasil, a frágil relação entre produção e consumo consciente não só desestabiliza a esfera ambiental como também dificulta o desenvolvimento sustentável do país, visto que uma série de desafios são enfrentados para atender essa demanda. Nesse contexto, torna-se evidente a carência de atitudes que visem melhorar tal problemática.
       A princípio, é indubitável que a produção e o consumo estejam entre as principais causas do problema. Segundo Max Horkheimer e Theodor Adorno, a Indústria Cultural - dotada principalmente de técnicas persuasivas - homogeneíza e molda o pensamento das grandes massas populares de modo a criar padrões de consumo. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que as expansões industriais e tecnológicas estão intrínsecamente ligadas não só à crescente produção de lixo, como também à exploração muitas vezes agressiva e predatória, haja vista que quanto maior a demanda por determinado produto, maior a requisição do mesmo na natureza. Dessa forma, o acúmulo de lixo se torna ainda maior em grandes centros urbanos como, por exemplo, em São Paulo onde são produzidos por dia cerca de 15.000 toneladas de lixo.
       Por outro lado, verifica-se que a falta de infraestrutura básica em lixões são grandes potencializadores da problemática. Nesse sentido, o acidente radiológico ocorrido em Goiânia - quando catadores de ferro-velho tentaram abrir uma sucata contendo Césio-137 - simboliza um marco quanto ao tratamento inadequado dado ao lixo no Brasil. Desse modo, é visível que a vida de todas as pessoas é afetada de maneira direta e indireta pela irresponsabilidade sanitária.
       É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem um mundo melhor. Logo, o Ministério do Meio Ambiente deve garantir com que políticas de saneamento e aterramento sejam realizadas por meio de reuniões com os representantes municipais, promovendo não só a segurança dos catadores e a saúde dos povos que dependem do lixo para a sobrevivência, mas também a sobrevivência dos recursos litológicos e pedológicos. Como já dito por Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Destarte, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir em escolas palestras que discutam sobre a relação entre cidadania e lixo, destacando o papel de cada pessoa para a preservação do bem comum para que, assim, o equilíbrio almejado por Aristóteles seja alcançado.