Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

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    Destoante da realidade ideal, a tecnologia avança para níveis cada vez mais inacreditáveis, contudo, traz consigo perigos velados. Nessa lógica, o avanço da internet, dentro de um contexto de mundo globalizado e conectado, tem a capacidade de desenvolver em seu cerne mecanismos que são, direta ou indiretamente, formas de totalitarismo, seja pelo seu controle psicológico ou físico. Além disso, a insipiência dos usuários dessas tecnologias acerca dos seus riscos ocultos compromete ainda mais a situação, na exata medida em que os deixa mais suscetível a diversos modos de coerção, tanto por entidades governamentais quanto por outros indivíduos mal intencionados.
         Nessa perspectiva, a principal característica desses sistemas relacionadas à sua capacidade de controlar e manipular comportamentos e pensamentos diz respeito ao seu grau e poder de interatividade e abrangência em função da quase onipresença da internet. De tal modo, em uma primeira instância, a própria pressão social exercida em meio virtual pode ser considerada um método eficiente de totalitarismo, haja vista que as índoles individuais e particulares podem, e por vezes são, influenciadas pelo interesse da maioria em detrimento do pessoal em função do risco de ser vítima do ostracismo, que se tornou, diante da lógica da modernidade líquida -- e, por sinal, superficial -- descrita por Zygmunt Bauman, uma das piores formas de punição contemporâneas. Sendo assim, evidencia-se que existe, mesmo que de forma velada, uma postura austera da sociedade em muitas ocasiões.
         Outrossim, a dificuldade em se deixar claro, em quaisquer que sejam as formas e fontes de tecnologias, seus pontos de vulnerabilidade, isto é, o grau de segurança quanto à hackers, malwares ou outra fonte de invasão e espionagem, prejudica ainda mais a situação. Nesse viés, casos como o de 2015, em que os dados e mensagens da própria presidência do Brasil, na época sob o comando de Dilma Rousseff, foram monitorados pelo governo norte-americano, revela uma clara tentativa desleal de antecipar os movimentos do país frente às negociações políticas e econômicas, a fim de garantir aos Estados Unidos a concretude de sua hegemonia ideológica, caracterizando-se, também, como uma espécie de totalitarismo, no qual se busca, mesmo por meios ilegítimos, a subserviência dos países com menos força. Por isso, é preciso atentar-se a essas nuances sutis do tema, de modo a proteger-se.
         Destarte, existe, de fato, um amplo espectro de formas de totalitarismo na era da tecnologia que necessita ser combatido. Portanto, cabe às entidades internacionais, tais quais os setores da própria ONU relacionados à segurança, estabelecer acordos e tratados que visem limitar a atuação de métodos de espionagens entre os países, por meio de conferências e votações pautadas no limite da razoabilidade, com o fito de minorar essa situação e proporcionar muito mais dignidade e respeito.