Novas formas de totalitarismo na era tecnológica.

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    Condição humana
          Em 1953, Ray Bradbury publicou a obra metalinguística "Fahrenheit 451", em que numa paradoxa realidade os bombeiros têm a única função de provocar incêndios, mais precisamente, nos livros. Claramente uma alusão ao desejo que alguns governos e instituições possuem de tornar a sociedade passiva, desprovida de cultura e objetificada. Entretanto, a situação referida não é exclusividade da literatura: em muitos casos no mundo, dito "moderno", a opressão à liberdade de pensamento e a coisificação dos indivíduos tornam a "condição humana" menos nítida na vida em conjunto.
    
       Por primeiro, nota-se que, diferentemente do século XX, os regimes totalitários da contemporaneidade estão revestidos por um eufemismo que, aparentemente, os suaviza, mas não os faz menos nocivos. Tal situação aparece em tom de vaticínio no pensamento de Aldous Huxley ao dizer que "a ditadura perfeita terá aparência de Democracia... Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à escravidão". Disse isso, pois compreendera que qualquer ação que faça regredir a capacidade de pensamento racional ou que intente fazer da sociedade um meio passional ante os problemas que existem é uma forma de repressão e, também, uma maneira de consolidar pensamentos maléficos e hegemônicos.
    
           Outrossim, parece uma contradição pensar que em uma era de tão grande desenvolvimento técnico-científico possa haver tentativas de domínio sobre pessoas, instituições e países. Porém os meios tecnológicos são, entre outras coisas, novas formas de propagação das ideologias repressoras. Cada tempo, à sua maneira, divulga e promove a coerção: como escreveu Chico Buarque- " é a história que adora uma repetição", a indicar que constantemente há tentativas de se repetir o que ocorreu no passado, seja bom ou ruim. Logicamente, não se pode deixar fora de tal ciclo continuado a resistência ao domínio e a busca da liberdade, que deve ser inerente a todo ser humano.
    
          Dado o exposto, compreende-se que o totalitarismo e a busca humana pelo conhecimento racional são mutuamente exclusivos. Portanto, uma maneira de garantir a as liberdades individuais é incentivar e manter, principalmente nas crianças e jovens, o hábito da leitura. Pode-se para isso utilizar das escolas, nas aulas de redação e artes, de modo que também se possa inserir a figura da Família nesse processo. Consoante a isso, a sociedade civil organizada tem o dever moral de se manter atuante na busca pela garantia dos direitos de todos, a fiscalizar os governos e instituições no cumprimento e manutenção do Estado Democrático, a fim de que se possa gozar, verdadeiramente, dos benefícios trazidos pelas tecnologias e pelo desenvolvimento científico.