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    Fahrenheit 451 é um livro de ficção distópica onde uma sociedade extremamente alienada tem sua privacidade controlada por meio de distrações tecnológicas e pela proibição dos livros, que são todos queimados - de forma a coibir os cidadãos do acesso ao conhecimento e capacidade de questionar o mundo. Não distante da ficção, nos dias atuais, regimes totalitários como o da China estão sendo abastecidos através do controle de dados da população, numa era onde a tecnologia vem a se tornar um universo sem fronteiras. Por isso, torna-se necessário o debate acerca das novas formas de totalitarismo aliadas à tecnologia e sua expansão.
         Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das novas tecnologias, internautas são cada vez mais expostos à riscos de violação à privacidade, consequência do desenvolvimento de mecanismos filtradores de informações a partir do uso de diversas fontes de acesso. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se atualmente em um período de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para o controle e manipulação semelhantes vistas em Fahrenheit 451. Assim, os cidadãos são involuntariamente analisados pelos sistemas contemporâneos e tornam-se vítimas de uma situação com impactos ainda pouco conhecidos.
         Por conseguinte, presencia-se uma forte censura em alguns países onde é restringido o acesso à muitos sites e aplicativos, no Irã, por exemplo, redes sociais de dispositivos móveis como o facebook são inacessíveis, visto que o acesso à comunicação disponibilizada por essa ferramenta fomentaria os contra-revolucionários que estão insatisfeitos com o governo vigente. Paralelamente, para Sartre, o homem é lançado ao mundo de forma livre, cabendo somente a ele constituir a si próprio. Não há qualquer obrigação metafísica que impõem ao homem como ele deve agir, quem ele deve ser e seus valores. O valor não é um dado objetivo, já existente no mundo, ao contrário: ele surge a partir da subjetividade do homem. 
          Em suma, são necessárias medidas que atenuem as formas de totalitarismo através da tecnologia. Logo, a fim de dar liberdade de escolha ao indivíduo, urge que o estado sancione leis detalhando os limites do acesso às informações pessoais da população por meio de bancos de dados virtuais. Ademais, compete ao cidadão ficar atento a essa questão, de modo a cobrar e pressionar as autoridades e empresas a sua segurança. Enfim, a partir dessas ações, espera-se o combate ao totalitarismo, bem como fez Guy em Fahrenheit 451, lutando para apagar o fogo que por sua vez estava apagando o direito ao conhecimento.