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    O consumo de bebidas alcoólicas é, muitas vezes, relacionado a momentos de descontração, tornado seu exagero negligenciado pela sociedade brasileira. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, “o fato social é maneira coletiva de agir e de pensar”. Nesse contexto, a normalização do abuso das drogas não ilegais, aliada ao hedonismo, comum na atualidade, favorece o exagero que pode desencadear, dentre vários fatores negativos, a dependência química. 
          Em primeiro lugar, uma característica marcante da sociedade atual é a fluidez e a ansiedade generalizada. O sociólogo Zygmunt Bauman conceituou esse tempo como “modernidade líquida”, no qual tudo fica ultrapassado rapidamente e o individualismo é latente. Diante disso, as pessoas buscam o prazer imediato, sendo o álcool uma fonte de alívio das angústias do cotidiano, gerada pelo efeito da liberação de hormônios, como a dopamina. Além disso, as propagandas televisivas reforçam essa associação, apresentando a bebida em momentos de festa. 
          Por conseguinte, muitas pessoas tornam-se viciadas nas bebidas alcóolicas, perdendo sua qualidade de vida. Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada pelo site G1 em 2018, mostra que o abuso alcóolico mata cerca de 3 milhões de pessoas ao ano. Mesmo assim, o acesso a essas substâncias é facilitado e encorajado nos diversos meios sociais, mas o apoio aos dependentes é praticamente inexistente, visto que são raras as clínicas e instituições específicas para essa finalidade. Ademais, os problemas como a violência, a separação de famílias, motivados pela “inocente e contínua cerveja com os amigos” são pouco abordados nas escolas e na mídia. 
          Deve-se, portanto, adotar mecanismos para conter esse vício tão danoso. Cabe à OMS, juntamente com as ONG’s do ramos, pressionar o Poder Legislativo brasileiro a proibir propagandas relacionadas à bebida nos meios de comunicação, bem como sobretaxar esses produtos, com o objetivo de desencorajar o consumo e de conseguir verbas para criar centros de apoio e tratamento para os alcóolicos. Já o Ministério da Educação, deve promover palestras de médicos e psicólogos, desde o ciclo básico, com os pais e estudantes sobre as consequências negativas do abuso alcóolico, a fim de romper com esse fato social da bebida como sinônimo de bem estar e alegria.