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    No filme "Se beber não case" os personagens entram em uma noitada de bebedeira, o que os fazem tomarem decisões que trazem arrependimentos por parte deles. Fora da ficção, o abuso do álcool é um dos maiores problemas da sociedade brasileira, uma vez que ocasiona problemas sociais e de saúde nos indivíduos que abusam dessas substâncias. Com efeito, deve-se analisar como a negligência do Poder Público e o individualismo influenciam nessa questão.
       Em primeiro plano, evidencia-se que a omissão do Estado potencializa o impasse, visto que o governo não fornece informações necessárias para alertar a população sobre os riscos gerados pelo consumo exacerbado da cachaça. Isso acontece porque, segundo Pierre Bourdieu, as sociedades adquirem padrões impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Entretanto, como o governo brasileiro não impõe um padrão, isto é, não direciona a sociedade para evitar o uso de bebidas alcoólicas, o consumo de álcool aumenta exponencialmente no país. Logo, é imprescindível que o Estado promova ações para alertar os cidadãos sobre os perigos do uso dessas substâncias, o que diminuiria o consumo no país.
       De outra parte, o individualismo da sociedade atual, ou seja, a incapacidade em manter relações duradouras, também agrava o abuso do álcool no Brasil. Isso porque, de acordo com Zygmunt Bauman, a contemporaneidade é marcada pela liquidez nas relações interpessoais, na qual os laços entre as pessoas estão cada vez mais voláteis. Nessa lógica apontada pelo filósofo, para preencher o vazio deixado pela falta de relações sólidas, os indivíduos estão frequentemente se apegando a coisas fúteis, nesse caso, a bebida alcoólica. Nessa realidade, impulsionada pela fragilidade das relações, a sociedade torna-se mais "cachaceira". Dessa maneira, para diminuir o consumo de álcool no Brasil, faz-se necessário desconstruir um dos problemas da modernidade, segundo Bauman: o individualismo.
       Urge, portanto, ações para mitigar o abuso do álcool na sociedade brasileira. Para isso, O Ministério da Saúde deve promover, por meio das mídias sociais e televisivas, campanhas publicitárias que demonstrem os diversos perigos relacionados ao alcoolismo, com o intuito de alertar os indivíduos e, consequentemente, afastá-los do consumo dessas bebidas. Ademais, os cidadãos devem, por meio de debates nas redes sociais, desconstruírem o individualismo presente na modernidade, para que esse contexto não ocasione em pessoas bebendo álcool para tapar os vazios gerados por essa realidade. Dessa forma, as cenas vistas no filme "Se beber não case" ficarão limitadas à ficção e o excesso de uso de álcool no Brasil não será um problema.