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    No livro "Carandiru," o médico e escritor Drauzio Varella apresenta um relato de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que proliferavam pelo Brasil por meio do sistema carcerário. Cenas fortes com homens muito magros, descuidados e à beira da morte faziam parte do cenário mundial na época; era a epidemia do vírus HIV. O avanço da medicina trouxe ao país um clima de estabilidade e, consequentemente, a despreocupação por parte dos jovens. E isso, logo, causou um maior número de casos no país de forma alarmante.
          Na década de 90, a Aids (estágio final após contaminação pelo vírus HIV) levou medo à população e colocou em foco de todos as DSTs. Entretanto, com a melhoria dos medicamentos, o número de casos de sífilis, gonorreia e outras fizeram diminuir o contágio. Em conjunto, aumentou-se o uso das medidas profiláticas como a aderência a preservativos. Assim, tanto o sistema de saúde quanto o governo diminuíram às campanhas direcionadas aos brasileiro e as restringiram às épocas em que a transmissão era maior como nos feriados, principalmente o carnaval. Como consequência, os jovens não cresceram com as cenas dos doentes que sofriam nos anos 90 e ficaram despreocupados.
               "O sistema de saúde falhou", afirma O doutor Drauzio em seu canal do "Youtube". Fala feita para representar o aumento das DSTs entre adolescentes no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de infectados por HIV cresceu 85% nos últimos 10 anos entre pessoas de 15 a 24 anos. Em suma, um estado alarmante. No auge da contaminação, campanhas publicitárias traziam doentes em estado crítico e alertavam para o uso de camisinhas e cuidados nas relações sexuais. No entanto, no mundo contemporâneo não basta o slogan "use camisinha". É necessário, então, atingir diretamente os jovens e apresentar-lhes a gravidade da situação e dificuldades em se conviver com uma doença que não tem cura, embora seja administrável, como a Aids, por exemplo.      
          Portanto, é indubitável a necessidade de intervenção por parte do Ministério da Saúde para o alerta e controle das DSTs no Brasil. Drauzio Varela foi pioneiro no estudo da disseminação da síndrome da imunodeficiência adquirida no país e deve ser novamente convidado a modificar o estado atual de proliferação. Ademais, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem que criar uma força-tarefa composta por médicos renomados e psicólogos que conheçam melhor o comportamento de adolescentes e, assim, criarem novas campanhas direcionadas a eles que divulguem os transtornos causados pelas DSTs como as dificuldades no tratamento e possíveis fatalidades. Dessa maneira, com propagandas direcionadas e, por conseguinte, uma população ciente dos perigos e das formas de prevenção das doenças consegue-se conter o aumento na faixa etária que deixou de se cuidar.