O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

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    As primeiras manifestações carnavalescas, no Brasil, surgiram no século XVIII sob a alcunha de "entrudos" e teve origem portuguesa. No entanto, apesar do status quo aristocrático, rapidamente surgiu a sua versão popular que pôde dar contornos democráticos ao evento. Na atual conjuntura, o carnaval ainda é tido como símbolo da nacionalidade brasileira e reúne aspectos de diversas culturas regionais, porém, obedece à dinâmica de mercado e, portanto, trata-se de uma festa na qual as desigualdades sociais são visíveis. Além disso, as manifestações de intolerância e violência também não são fenômenos atípicos.
       Em primeira análise, no último carnaval carioca, as escolas de samba incluíram o tema da desigualdade social em seus enredos, o que está em total consonância com a realidade nacional e o próprio evento. Afinal, a preparação da festa ocorre nas comunidades e envolve as pessoas da periferia, entretanto, os ingressos são caros e as arquibancadas do evento são compostas pela elite. Diante disso, apesar de representar nossas riquezas e atrair divisas para o país pelo turismo, trata-se de uma festa de contradições que reforça a ideia contida na poesia de Gil :"de um lado este carnaval, do outro a fome total". 
       Além do aspecto das desigualdades econômicas, o carnaval é um espelho da intolerância. Assim, segundo a Secretaria Municipal de Reparação de Salvador, a violência contra focos raciais, LGBTs e de gênero dobrou de 2015 para 2016. Evidencia-se, portanto, que há um cerceamento das liberdades incompatível com o viés da festa, a qual deveria representar um momento em que as pessoas pudessem extravasar, explorar suas potencialidades e realizar suas fantasias. Além disso,  em alguns lugares, como Salvador,  faz-se o uso do sistema de cordas que reforça ainda mais o caráter sectário dos "entrudos" contemporâneos. 
       Destacam-se, por conseguinte, fatores que ferem o conceito de carnaval como símbolo da nacionalidade, sendo muitas vezes manchado pela exclusão e mercantilização cultural. A fim de reduzir os crimes de intolerância e gênero no carnaval, as prefeituras devem promover o combate a esse tipo de violência por meio da criação de unidades móveis espalhadas pelo evento e especializadas nesse tipo de abordagem. Dessa forma, os criminosos se sentirão intimidados e as pessoas, mais seguras. Além disso, o carnaval deve ser um ambiente de inclusão, para isso, as prefeituras devem focar investimentos nas manifestações locais, por meio da associação com organizações que promovem a cultura local, de forma a viabilizar a apresentação desses grupos sem sistema de cordas. Desse modo, haverá o resgate da cosmovisão de um carnaval sem distinção de credo, gênero e cores.