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    O carnaval existe no Brasil desde o período colonial, marcado pela cultura afro-brasileira e pelo sincretismo étnico. Embora fosse uma festividade popular, hoje se percebe que tornou-se uma forma de lucro, em um contexto neoliberal, e um símbolo do povo que ouviu do Ipiranga, o brado retumbante. Nesse viés, vale analisar o paralelo existente entre esse grande evento e a realidade nacional no que tange aos aspectos socioculturais da contemporaneidade.
      Primeiramente, é preciso considerar a semelhança  do carnaval com a política do "pão e circo" romana. De fato, muitos líderes governamentais utilizam-se desse evento popular para se autopromover e manipular parte da população que não tem um apurado senso crítico. Nesse viés, a negligência com os setores básicos da sociedade, como saúde e educação, acaba sendo disfarçada pelo entretenimento e diversão dessa festividade, assemelhando-se ao contexto de Roma. Outrossim, bandas que cobram um alto preço são apadrinhadas pelos políticos, como forma de conseguir votos, prática parecida com o coronelismo da Primeira República. Nessa perspectiva, percebe-se que, mesmo sendo uma atitude tão arcaica, ainda é presente no Brasil hodierno, mostrando que essa situação precisa ser alterada, a fim de assegurar o ideal democrático e os direitos constitucionais.
      Além disso, é válido ressaltar a presença do "jeitinho brasileiro" nessas ilegalidades do carnaval. Mesmo essa festividade sendo parte da identidade nacional, nota-se que, atualmente, o sentido de tradição já foi ultrapassado pela busca excessiva do lucro. Os camarotes com preços elevados e as fraudes e a corrupção em alguns eventos são reflexos dessa equivocada cultura. A massificação a qualquer custo, mesmo que haja práticas criminosas - como invalidar o campeão de um bloco -, em detrimento da historicidade dessa festa, expressa o desrespeito, o etnocentrismo e o conseguir se dar bem a qualquer custo. Nesse sentido, Zygmunt Bauman estava correto ao afirmar que, cada vez mais, as pessoas são individualistas e egocêntricas em meio a uma sociedade moderna líquida.
      É claro, portanto, que, mesmo sendo uma diversão, o carnaval reflete bem as mazelas socioculturais do Brasil do século XXI. Para atenuar e reverter essa situação, é imprescindível que as escolas promovam palestras, com sociólogos e historiadores, e utilizem cartazes que instiguem a reflexão dos estudantes, desenvolvendo a criticidade e mostrando, nas matérias de Ciências Humanas, os aspectos do período escravocrata brasileiro enraizados hoje, a fim de evitar a alienação e o desrespeito. Além disso, o Poder Judiciário deve investigar e monitorar os líderes políticos e os organizadores dos eventos, através da ação policial, como forma de punir os corruptos e reduzir a criminalidade, efetivando o Código Penal. Só assim poder-se-á atualizar o brado do Ipiranga contra os erros da nação.