O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

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    Fantasias exuberantes, massas de foliões e sucessos musicais. Tudo isso faz parte de uma rotina anual brasileira, originada de movimentos populares de escravos ainda no período colonial. O carnaval precisou da originalidade das camadas populares para ganhar o mundo, mas parece que tal lógica foi subvertida. Atualmente, os lucros almejados pela indústria do entretenimento e o turismo em torno da festa afastaram os principais atores do movimento, que já não podem pagar pela própria criação.
          No livro "Carnavais, Malandros e Heróis", Roberto DaMatta descreve o carnaval como um período de suspensão da hierarquia social brasileira. Entretanto, festas que cobram altos valores por um suposto caráter VIP têm subvertido as ideias do sociólogo. Tal fato decorre do desenvolvimento informacional-tecnológico que, através das redes sociais, fortaleceu uma indústria do entretenimento engajada em vender experiências e um estilo de vida. Consequentemente, os atores originais são afastados de sua própria criação por um processo de gentrificação do espaço cultural.
          Soma-se a isso o fato do Brasil possuir o turismo como uma das suas principais fontes de receita. Dessa forma, a gestão pública planeja a ocorrência de blocos de rua nas partes mais enobrecidas e centrais das cidades, que muitas vezes contam com deficiências na mobilidade urbana e dificultam o acesso de classes populares. Além disso, os investimentos públicos nas ligas de escolas de samba e a exposição midiática do evento são responsáveis pelo encarecimento do espetáculo.
          Percebe-se, portanto, que diversos fatores envolvendo políticas públicas e meios de comunicação são responsáveis pela espetacularização do carnaval brasileiro como símbolo cultural. Cabe ao ministério da cultura destinar parte dos investimentos públicos na festa para a promoção de artistas independentes que resgatem as raízes populares da festa. Em conjunto com isso, o poder legislativo deve definir horários de exibição, na televisão aberta, de conteúdo popular sem vínculo publicitário. Assim, poderá se resgatar a verdadeira massa de foliões do carnaval brasileiro.