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    O carnaval representa não só um simples período de festejo, ou de feriado prolongado, mas a mais típica manifestação dos traços da nacionalidade brasileira. Nesta é possível verificar contribuições tanto do português europeu, do negro africano como também dos indígenas locais, pois o que se observa é uma mescla e o resultado disso é esse fenômeno nacional. No entanto, tal festividade tem demonstrado ao longo de seu desenvolvimento algumas alterações que vêm chamando atenção como o maior refinamento do evento, vindo a ser mais aristocrático, e a oportunidade do momento para torná-lo palco de manifestações, o que gera polêmica.
          Remontando a história do carnaval consta que o mesmo chegou no país no contexto do Brasil Colônia, sendo que suas primeiras manifestações fazem referência ao Entrudo, festa esta de origem portuguesa e que teve sua prática criminalizada de início pelos setores mais alto da sociedade da época, uma vez que se realizava nas ruas e tinha a participação da massa. Enquanto que o povo era reprimido de festejar, a elite participava de bailes em clubes e teatros. Analisando esse cenário e o reportando para os dias de hoje, século XXI, a impressão que se tem é que está se repetindo, visto que o evento passou a ser um lucrativo negócio tanto do ramo turístico como do entretenimento. E para ter acesso a todo esse mundo de encantamento é necessário gastar muito e, com isso, resta à maioria observar de longe e ficar mesmo só no desejo.
          Mesmo em um momento crítico a que passa o país, o período que se estende às festividades é marcado por grande euforia. Entretanto, atos de manifestações têm ganhado maiores destaques nos eventos, pois é cada vez mais comum ver pessoas fantasiadas das mais diversas formas, sendo que por trás das vestimentas e das máscaras tem um apelo para um olhar mais atento e crítico sobre o país. Algumas escolas, do tradicional desfile, vêm chamando atenção também quanto a isso como, por exemplo, ao retratar as condições de miséria da população em determinadas regiões e referência ao mal impregnado, a corrupção.
          Contata-se, portanto, a importância do carnaval como mecanismo de auto-afirmação da nação brasileira, pois é inerente ao ser humano a necessidade de construir uma identidade e essa festa popular, conhecida no mundo todo, contribui para esse processo à medida que apresenta um povo que ao mesmo tempo  que difere quanto as suas diferenças locacionais os une pela semelhança em certos aspectos. E cabe ao Estado garantir o direito de poder se expressar por meio das inúmeras composições que o Carnaval contém, dando à população a oportunidade de se alegrar e também expor opiniões, e não ser calada ou impedida de dizer o que sente e o que espera.