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    A realidade por trás do glamour
           Na Física, quando a luz incide sobre um espelho convexo se forma uma imagem virtual, direita e maior que o objeto real. Essa disparidade entre ambas as figuras representa, metaforicamente, o presente cenário festivo brasileiro no qual a imagem deslumbrante e positiva refletida não condiz à realidade negativa e repleta de mazelas sociais. De fato, o Brasil carnavalesco e esplendoroso é pulverizado na quarta-feira de cinzas.
           Tal afirmação emana, à priori, dos dilemas socioeconômicos da nação. No livro “O país do Carnaval”, o autor Jorge Amado descreveu os brasileiros como alienados por ignorar o descaso do poder público em troca de uma felicidade momentânea. Assim, a ficção tangencia a atual conjuntura uma vez que baixos índices de desenvolvimento humano surgem à medida que altos investimentos são destinados a shows públicos e abadás – como acontece, todos os anos, na Bahia cujas cidades possuem os menores IDH’s do país e os maiores blocos de rua. Logo, vão-se as festas e ficam-se as dívidas.
           Em outra perspectiva está a erotização da figura feminina. Durante a Idade Média e quase toda a Idade Moderna, a mulher foi vista como objeto de consumo. Hoje, em tempos de “empoderamento” feminino, a mesma concepção vem persistindo – sobretudo – devido à exposição exacerbada do corpo despido e feminil; criando no imaginário estrangeiro, por exemplo, um estereótipo errôneo da mulher brasileira: herança de semanas que será levada por anos. Desta forma, seria necessário que as escolas de samba “descaricaturassem” a imagem feminina no Brasil através de homenagens durante os desfiles em rede nacional a fim de mostrar a real brasiliana. 
          Além dessas, o Ministério Público em parceria com ONG’s dos direitos humanos deve punir severamente os municípios irregulares quanto às promessas eleitorais não cumpridas mediante multas, visando a melhor qualidade de vida da população e a segurança dos seus direitos. Destarte, a felicidade do patriota não findaria na quarta-feira de cinzas; a diversão do Carnaval seria o reflexo de um ano inteiro e “o fato de ser brasileiro me encheria de orgulho” – já dizia Ayrton Senna.