O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

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    A política do pão e circo, muito utilizada pelos líderes romanos, se baseava na alienação populacional através de eventos que promoviam uma desinformação política/social. No entanto, essa medida se estende na linha temporal e pode ser vista na atualidade com a difusão do Carnaval em meados de agruras sociais. De fato, a sociedade civil figura um estado aparente de amnésia social posto no contexto festivo. 
    Esse pseudo-olvido tem origem na felicidade temporária e avassaladora desses poucos dias de festa. Em “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman relata a emersão da fluidez e efemeridade das relações do homem na sociedade contemporânea. Nesse sentido, nota-se que o “esquecimento” de toda tensão política/social se dá durante esses instantes supérfluos de farra pelo fato dele gerar uma intensa alegria momentânea a qual funciona como uma válvula de escape – tal como expressa a música da Linda Batista, “Quero Morrer no Carnaval”. Logo, a exacerbada felicidade ilude o folião ao mascarar a realidade. 
    No curso dessa euforia, prevalece a marginalidade humana. O filme "Ódiquê?", do diretor Felipe Joffily, exibe a história de três amigos pobres que precisam de dinheiro a fim de "curtir" a festa carnavalesca e para esse fim realizam roubos e sequestros. Analogamente, a conjuntura brasileira não se distancia da ficção uma vez que os brincantes dessa festa nacional vêm sofrendo arrastões e assaltos. Sobreviver nesta época, por certo, tem sido perigoso – já dizia Guimarães Rosa, “viver é muito perigoso”. Destarte, torna-se indubitável a ação do Estado para garantir a segurança dos foliões mediante o reforço militar nas áreas festivas a fim de estagnar a alta criminalidade desse período. 
    Outrossim, as escolas e os núcleos familiares devem ensinar às futuras gerações acerca da relevância de boas relações humanas por intermédio de debates, reuniões, palestras e até mesmo brincadeiras didáticas. Assim, a aparente amnésia social deixaria de existir; erguer-se-ia a construção de uma sociedade sólida; o pão e circo seria interrompido e o ideal da Clarice Lispector – “Eu não: quero uma verdade inventada” – fixado no imaginário do cidadão brasileiro.