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    Medo. Insegurança. Confusão. Todos esses sentimentos traduzem o que se passa na mente de uma criança violentada sexualmente. Casos de pedofilia estão sendo cada vez mais divulgados pelas mídias, tornando-se necessária a discussão sobre a quebra de tabu em torno do assunto e a consequências psíquicas e sociais para as crianças vítimas dessa violência.
        Primeiramente, é possível apontar esse tabu como construção cultural no nosso país. No livro "Raízes do Brasil", o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda discorre sobre essa formação cultural exemplificando a ideia da Cordialidade brasileira. Nesse contexto, o homem ocupado com as dezenas de tarefas diárias não possui tempo e nem encontra necessidade de conversar com os filhos à respeito de temas como violência sexual e até mesmo sexualidade. Devido à isso, crianças acabam crescendo sem as informações necessárias sobre o assunto e quando se veem vítimas de violência sexual, por medo e insegurança acabam não contando para os responsáveis, o que gera tremenda confusão psicológica. 
        Ademais, em sua maioria os abusadores são pessoas próximas à criança que normalmente fazem parte do seu cotidiano o que acaba dificultando ainda mais a denúncia. Somado à isso, o papel da escola e dos pais é fundamental uma que vez que esses setores muitas vezes por vergonha acabam sendo coniventes com o crime praticado e/ou colocando a palavra da criança em dúvida. 
         Torna-se evidente, portanto, a existência de fatores que dificultam o combate à pedofilia no país. É essencial que a escola seja capacitada para perceber indícios e acolher essas vítimas uma que vez que é o lugar onde a criança passa o maior tempo do seu dia. Além disso, o Ministério da Educação deveria oferecer a disciplina de educação sexual em todas as escolas, dessa forma a criança seria instruída do que fazer e nas formas de denúncia desde cedo. A família também é imprescindível, uma vez que o tabu sobre o tema deve ser quebrado e o diálogo sobre o assunto deve fazer parte do cotidiano. Além disso, a Secretaria de Segurança do Estado deve aumentar a fiscalização e o rigor das punições. Analogamente, o Conselho Tutelar em parceria com a Secretaria de Comunicação do Estado deve elaborar campanhas midiáticas para alertar e incentivar a população para denunciar casos dessa violência. Só assim, tratando causas e minimizando os efeitos, será possível uma sociedade em que casos como o da menina Araceli, que foi brutalmente violentada e assassinada, não ocorra mais.