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    Pontuando Ações
          É relevante a ideia de que valorizar o homem como ser social significa buscar alcançar as transformações necessárias para uma sociedade mais justa. Nesse contexto, quando se discute sobre a pedofilia no Brasil, observa-se um elevado aumento no número de eventos nos últimos anos. O fato de situações como essa comprometerem a vida de tantas crianças, indica que se deve atentar para a realidade de que, em média, 65% dos casos denunciados foi praticado dentro de casa. O mais preocupante, contudo, é constatar a falta de mobilização do Estado para com essa conjuntura, deixando claro a urgência de medidas para reverter esse cenário. 
          Um dado extremamente alarmante, nesse quadro, é que, em 2013, foram recebidas 87 denúncias de violência sexual infantil por dia, das quais, na maioria, o agressor era conhecido da vítima ou era até mesmo da própria família. Como se não bastasse isso, os crimes cometidos, em que o acusado se encaixa nesse padrão, são, muitas vezes, mantidos em segredo. Sendo assim, pode-se perceber que ainda há uma grande quantidade de casos que não são possíveis de registrar. 
          Sob esse olhar, torna-se relevante discutir o problema analisando as medidas brasileiras para evitar a ocorrência desse tipo de crime. Nessa ótica, é lamentável verificar que muitos conselhos tutelares, por exemplo, não possuem uma infraestrutura adequada para atender as famílias dessas crianças. Nesse ritmo, é apenas uma questão de tempo, para que não haja um devido seguimento do processo jurídico de novos incidentes, deixando as vítimas vulneráveis. 
          O posicionamento assumido nessa discussão demanda duas ações pontuais. A princípio, deve-se estabelecer como meta um plano governamental visando a melhora de órgãos que prestam atendimento às vítimas e às suas famílias, com a intenção de aumentar a quantidade de ocorrências finalizadas. A outra ação precisa ser fomentada pela iniciativa de ONGs com parceria do poder público, no sentido de criar grupos de apoio às crianças e aos envolvidos, contando com palestras, psicólogos e recreações, a fim de minimizar a dor sofrida por eles. Resta saber se, de fato, haverá vontade, não só política, mas também de participação social, para promover um maior equilíbrio entre as relações humanas.