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    Segundo o sociólogo Gilberto Freyre ''O ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças'', a partir disso depreende-se a importância do combate à pedofilia no Brasil. O abuso infantil ocasiona uma série de consequências para crianças e jovens a curto e longo prazo, como transtornos psicossomáticos e emocionais. De acordo com dados do disque denúncia, a faixa etária que responde pelo maior número de denúncias, é a que abrange crianças de 0 a 11 anos. Dessa forma, observa-se a vulnerabilidade desses frente a problemática, o que exige mudanças comportamentais e ações estatais imediatas.
                Em primeiro plano, é possível perceber que o combate à pedofilia possui entraves principalmente culturais, que dificultam a atenuação desse tipo de crime hediondo. O diálogo sobre educação sexual, com crianças e jovens nas famílias brasileiras, ainda é considerado um tabu. À vista disso, a criança ou jovem sem conhecimento acaba tendo dificuldade em reconhecer que sofreu algum tipo de abuso, dificultando a punição do responsável. Sob esse viés, é válido pontuar que em alguns casos os próprios pais ou companheiros de um dos pais, são os responsáveis pelo abuso. Nesses casos a atuação do meio escolar em identificar mudanças de comportamento é de extrema importância.
                        Decerto, a criação da Lei de nº 11.829 de 2008 - que tipifica o crime de pedofilia pela internet, foi imperiosa haja vista que o combate também abrange essa esfera. Entretanto, o anonimato propiciado por esse meio torna difícil a identificação dos pedófilos, que se aproveitam principalmente das redes sociais para aliciar menores, uma vez que existe o estigma brasileiro da impunidade. Desse modo, a família quando não monitora o acesso dos filhos na internet, acaba se tornando conivente como coautora desse crime.
                           Infere-se, portanto, a necessidade da intensificação quanto ao combate à pedofilia no Brasil. Como forma de garantir isso se faz necessário que os núcleos familiares debatam o tema com os filhos, tendo a educação sexual como um diálogo corriqueiro, a fim de que as crianças e jovens saibam reconhecer esse tipo de violência e pedir ajuda. Atrelado a isso, o Ministério da Educação deve criar disciplinas que debatam a educação sexual desde os primeiros anos da educação de uma maneira didática e clara, auxiliando inclusive os pais nessa discussão. Cabe à Polícia Federal aprimorar os serviços de inteligência com o objetivo de tornar mais factível a localização de aliciadores na internet. Por fim, o Estado em parceria com a mídia, deve promover o disque denúncia acompanhado de campanhas que chamem a atenção da sociedade e incentivem as pessoas a denunciarem casos de pedofilia.