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    Apesar de viver no Brasil, desde a promulgação da Constituição de 1988, um período de ampliação dos direitos individuais, o abuso infantil é um desafio à superação de valores com raízes patriarcais. Notar a persistência de práticas, com vistas à violência sexual contra crianças, que prejudicam o desenvolvimento do jovem, dá caráter urgente a esse tema, levando-se em consideração aspectos culturais e um ciclo social.
          Em primeiro lugar, quando Kant afirma que "o homem é aquilo que a educação faz dele" ratifica a importância do caráter didático, definindo os atos do indivíduo em sociedade. Seguindo a linha de pensamento do filósofo, prevê-se que, em um corpo social em que era natural o arranjo de casamentos entre crianças e adultos, parte da população ainda conserve valores patriarcais. Assim, o maior contato entre pais e filhos é a principal forma de detectar abusos sofridos pelas crianças.
           Outrossim, destaca-se a pedofilia como um dos principais empecilhos à evolução do público infantil. Quando Durkheim define que o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar, dotado de exterioridade, coercitividade e generalidade, evidencia a influência da sociedade sob o indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, é notável que uma criança que se desenvolve em meio a essa conduta, tende a adotá-la por conta da convivência. Dessa forma, há o fortalecimento do pensamento patriarcal, transmitido de geração à geração, agravando o problema.
        Fica evidente, portanto, a necessidade de romper paradigmas que afetem o crescimento saudável do público infantil, com vistas ao fortalecimento do Estado de bem-estar social. O Ministério Público e o SUS devem atuar na resolução dos casos, este dando atendimento psicológico e aquele fornecer amparo jurídico às vítimas. À mídia cabe o papel de veicular debates e propagandas que alertem sobre as atitudes tradicionais das crianças vítimas de abuso sexual e engajem os pais a dialogarem mais com os filhos. Desse jeito, descontruir-se-à, gradualmente, os vestígios do patriarcalismo, fortalecendo-se a democracia brasileira.