Enviada em: 22/10/2017

O Papa Francisco disse em um pronunciamento que “estamos vivendo uma crise não só financeira, mas também humanitária”. De fato, ao olhar para o cenário de pessoas desaparecidas no país vê-se a urgência de se debater o tema, a fim de evitar novas vítimas e buscar por maior mobilização da sociedade.         A primeiro momento deve ser analisado a causa de tantos desaparecimentos. Albert Einstein, físico amplamente reconhecido, disse certa vez que a força mais poderosa do universo não é a força da gravidade, e sim a dos juros compostos. Nesse hiato, essa força parece mover algumas pessoas a tomarem atitudes desumanas como o tráfico de pessoas, de órgãos ou o trabalho escravo. Dessa forma, para que novas vítimas não sejam feitas é necessário que a existência do perigo seja divulgada e trabalhada entre o público de risco, assim como a forma que os aliciadores agem.      Já em segundo momento, cabe uma reflexão acerca de como a sociedade pode contribuir na identificação dessas pessoas. O grande problema a ser enfrentado é a falta de engajamento social, isso devido a pouquíssimas pessoas reservarem parte de seu tempo diário para checar fotos em sites de desaparecidos. Sendo assim, deve-se concordar com o escritor Allan Pitz quando afirma, “o sistema torna-se estúpido por ser sistemático com o homem moderno e seus avanços”. Isto é, a forma como interagimos com nosso meio mudou, logo a maneira como as vítimas são divulgadas deve passar por uma modernização também. Observada a possibilidade da vítima ainda estar no município após as 24 horas do desaparecimento, é preciso organizar as informações dos casos na região, poupando tempo do cidadão e aumentando a eficácia nas denúncias.                     Nessa perspectiva, entende-se que para que a força citada por Einstein não se sobressaia aos direitos descritos na Constituição de 1988, ONGs, Governo Federal e sociedade devem trabalhar juntos. Em comunidades onde se observa os desaparecimentos as ONGs podem levar informações em espaço público, utilizando de mesas redondas e simulações para conscientizar desde aos mais jovens. Cientistas sociais, com apoio e investimento do Governo Federal, podem criar um aplicativo, prático e dinâmico com fotos dos desaparecidos locais, ganhando assim popularidade e facilitando na identificação. Só assim, o pronunciamento do Papa se tornará cada vez mais sem sentido.