O empreendedorismo social e o combate à pobreza no Brasil.

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    Promovido pela TV Globo desde 1985, o evento ''Criança Esperança'' representa um marco na criação de uma consciência social dentro de uma das maiores organizações privadas do Brasil. Anualmente, a emissora divulga as ações possibilitadas pela doação em dinheiro da sociedade civil à iniciativa, que vão desde a inclusão social por meio do esporte até a capacitação profissional. Contudo, apesar desse exemplo de sucesso, a questão do empreendedorismo social no Brasil enfrenta desafios, especialmente no que tange o combate à pobreza. Desse modo, em uma nação socialmente desigual que necessita de alternativas que possibilitem o acesso a uma vida digna, a ineficiência estatal, além da postura capitalista selvagem de parcela do setor privado, constituem obstáculos para o empreendedorismo social.
          Em primeiro lugar, evidencia-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas que façam com que o empreendedorismo social torne-se uma realidade no combate à pobreza. Essa lógica é comprovada pelo papel meramente ilustrativo que o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) tem na administração pública brasileira. Idealizado para ser um órgão de criação e execução de medidas que possibilitem a ascensão social das camadas mais pobres, tal ministério, por sua vez, não estimula organizações a engajarem-se socialmente em causas relevantes para a sociedade brasileira. Com isso, o Estado ignora o potencial transformador do empreendedorismo social. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
    
          Outrossim, é imperativo pontuar que parte das empresas no Brasil - que visam somente o lucro - não estão interessadas em impactar positivamente a sociedade, no que concerne à realização de programas que contribuam para a redução da pobreza no país. Sob esse aspecto, é nítido que apenas uma pequena parcela das grandes organizações brasileiras engajam-se socialmente, seja destinando recursos financeiros a instituições já existentes, seja desenvolvendo suas próprias iniciativas, caso da própria TV Globo. Nota-se, assim, a necessidade de fazer com que o empresariado tupiniquim seja estimulado a colaborar com causas sociais que combatam a pobreza.
    
          Infere-se, portanto, que o empreendedorismo social deve ser estimulado. Posto isso, o MDS deve, por meio da elaboração de um plano de estímulo a ações sociais, convocar empresas de médio e grande porte a selecionarem ou desenvolverem projetos que visem combater a pobreza. Ademais, o Ministério da Fazenda, mediante portaria específica, deve oferecer incentivos fiscais e abatimento de impostos a organizações privadas que executarem medidas de empreendedorismo social e combate à pobreza, a fim de estimular tais empresas a contribuir com o desenvolvimento do país.