O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

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    Na animação norte-americana “A História das Coisas”, relata o ritmo de consumo estadunidense dos anos 2000 e como isso influencia no aumento de resíduos. Nesse sentido, a narrativa foca no ciclo popular de compra e descarte de produtos e expõe os impactos que o acumulo de lixo tem provocado no país, dentre eles: ausência de recursos hídricos e contaminação atmosférica. Fora da ficção, esse cenário de sociedade consumista e poluidora também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um problema governamental, visto que – seja pelo dever de consumo propagado pela mídia, ora pela gestão irracional dos resíduos – corrobora para o aumento da degradação ambiental e alterações climáticas.
       Em princípio, cabe analisar o incentivo consumista difundido pela mídia sob a visão de indústria cultural dos filósofos Adorno e Horkheimer. Segundo os autores, os meios de comunicação padronizam os conteúdos e tornam a ideologia das pessoas homogênea. Analogamente, no momento em que a mídia digital e analógica divulgam, repetidamente, comerciais imperativos que induzem ao consumo e impedem uma educação financeira, elas acabam por consolidar a prática de compra e eliminação de objetos no meio social. Por consequência, observa-se um maior acumulo de produtos e, muitas vezes, o descarte irregular dos detritos, o que auxilia para a contaminação de ecossistemas e a perda da biodiversidade.
      Ademais, junto ao incentivo midiático, a gestão irregular do lixo também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Dessa forma, os cidadãos, ao ignorarem hábitos de coleta seletiva – como a separação dos resíduos secos, úmidos e perigosos –, tendem a permanecer omissos em técnicas de logística reversa após o consumo e atrapalham o trabalho fundamental das indústrias de reciclagem. Logo, tal atitude da população aumenta a taxa de objetos tóxicos em lixões e aterros sanitários, além de facilitar alterações no microclima dessa região.
       Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas, com apoio governamental, devem difundir esse assunto de maneira intensiva, de modo a usar documentários ecológicos em aulas especiais de Geografia, que possam ensinar aos alunos os riscos do consumo excessivo para que os mesmos propaguem aos seus pais. Dessa forma, será possível descontruir o poder do estímulo midiático e formar consumidores conscientes na população. Além disso, a mídia digital, por meio de postagens nas redes sociais, deve incentivar hábitos domésticos de coleta seletiva e divulgar postos ecológicos para reciclagem, a fim de diminuir a degradação feita pelos resíduos e inibir práticas poluidoras, assim como as da animação “A História das Coisas”.