O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

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    No filme intitulado "Wall-E", é retratado um futuro distópico em que a humanidade deixou o planeta terra e passou a habitar em uma gigantesca nave. O motivo é que a terra se tornou inabitável por causa da quantidade de lixo depositado, só restou Wall-e que trabalha para compactar e organizar todo esse entulho. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por "Wall-E" pode ser relacionada a realidade: gradativamente, o Brasil está chegando cada vez mais próximo da distopia supracitada, segundo dados da pesquisa realizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo. Não restam dúvidas quanto à relevância da questão, é necessário uma redução profunda na produção de lixo para evitar as previsões feitas em Wall-E.
     Em primeiro lugar, é importante destacar que, além do Brasil ser o quarto maior produtor de lixo  do mundo, o país também é um dos que menos recicla: apenas 1,2%. Todo esse lixo depositado, muitas vezes sem destino, traz como consequência rios completamente poluídos, vida marinha ameaçada, verdadeiros lixões a céu aberto, contaminando solo e água e até mesmo deslizamentos. 
      Por conseguinte, é notável que parte da população ainda não separa o lixo corretamente, nem utiliza os processos corretos para reciclagem, como consequência o subproduto das sociedades de consumo vai se tornando um problema de dimensões globais, afetando o futuro da própria humanidade. Para o filósofo Zygmunt Bauman, a lógica hipercapitalista subverteu o sentimento empático, o que causou, por consequência, menos afeto nas relações sociais. Se continuar nesse ritmo, sem uma redução profunda quanto a produção de lixo, às próximos gerações irão sofrer as consequências danosas do acúmulo de lixo, o que mostra a falta de empatia em relação às gerações futuras. 
     Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Em primeiro lugar é necessário que haja uma conscientização da população, não só com relação à seleção e descarte de cada tipo de lixo no lugar e na hora certa, mas, num processo maior que envolve a conscientização das pessoas para os perigos do consumismo desenfreado e para a necessidade de reaproveitamento dos bens, de modo a reduzir a quantidade de resíduos gerados por cada indivíduo. Essa conscientização poderá ser feita pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) através de palestras nas escolas, propagandas nas mídias sociais e em canais televisivos. Paralelamente, concerne que o Governo Federal em parceria com os municípios, construa galpões para a seleção e triagem do lixo e qualifique a mão de obra para este serviço. Além dessas ações, é necessário novos aterros sanitários, que tenham grande capacidade para receber toneladas de lixo. Por fim, com essas medidas, a distopia Wall-E permanecerá somente como ficção.