O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

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          Mudanças no microclima regional, contaminação de água e solos, proliferação de doenças. Diversas são as consequências da má gestão de resíduos presentes no Brasil contemporâneo. Ao longo da história nacional, a produção de lixo aumentou de forma alarmante e fez-se regra, nas últimas décadas, de maneira sistemática. Com efeito, esse panorama de desconstrução do ambiente urbano e natural, fruto do consumismo desenfreado e da negligência governamental em reverter esse quadro, mostra-se um desafio a ser superado com urgência.
            Em primeira instância, a compactuação social, intencional ou não, com o modo de vida consumista fomenta um complexo cenário de geração de lixo no país, haja vista que tais hábitos de consumo corroboram com a estratégia de obsolência programada, na qual as empresas fabricam produtos com prazos de validade pré-determinados. Assim, a compra de novos produtos em curtos períodos de tempo, tornam-se inevitáveis. Além disso, segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil ocupa o 5° lugar no ranking de países que mais produzem lixo no mundo. Cabe salientar que a manutenção desse processo social possui estreita relação com o modelo socioeconômico vigente, o qual vê no consumismo brasileiro uma ótima oportunidade de obter  lucros.
           Em segundo plano, o descaso estatal produz uma complexa realidade de produção de lixo em massa no território nacional, visto que é ótimo para a economia do país possuir uma população altamente consumista. Ademais, essa conjuntura materializa com nitidez a concepção de "Sociedade do Controle", de Deleuze, cuja base filosófica buscava compreender o poder exercido a distância, realizado, principalmente, pela padronização de comportamentos e do estado psíquico de um determinado povo. Nessa perspectiva, o governo incentiva a população ao consumo descontrolado e tal reflexão reaviva a problemática enfrentada, na qual essa grave situação de obsolência programada somada ao consumismo inconsequente ainda se mantém de forma alarmante na realidade brasileira.
          Portanto, é perceptível que o descaso social e a negligência estatal são desafios ao consumo consciente e à minimização dos impactos gerados pelo lixo no Brasil. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse panorama, cabe ao Governo Federal, via Ministério da Indústria junto ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de acordos legais, estipular o fim da obsolência programada e adotar medidas que visem ao encaminhamento do lixo de maneira adequada, como programas de compostagem e incentivo à reciclagem. Dessa maneira, toda a fauna, flora e cidadãos brasileiros serão beneficiados e a concepção de Deleuze não mais será uma realidade no contexto nacional.