O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

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    O filme Wall-e da Disney aborda um mundo futurístico em que a terra havia se tornado um grande depósito de lixo. Tal fenômeno foi causado pela exploração desenfreada dos recursos naturais que impediram, até mesmo, do homem de permanecer no planeta. Em analogia, apesar de ser um filme fictício, observa-se cada vez mais proximidade da realidade brasileira, visto que o aumento na produção e o descarte irracional do lixo tem afetado significativamente as riquezas naturais do país. Nesse viés, é pertinente avaliar acerca do consumismo da sociedade, bem como os impasses no reaproveitamento desses resíduos produzidos frente a essa era social.
       Convém salientar, a princípio, que o homem, desde a pré-história, necessita consumir para sobreviver, seja de alimentos, vestuário, entre outros. Contudo, com o advento da Revolução Industrial, houve o processo da mecanização da produção e o estímulo ao consumo, ditando, dessa maneira, uma nova ideologia de mercado. Assim, de acordo como filósofo Karl Marx, para que esse incentivo  ocor -resse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria, no qual constrói-se a ilusão de necessidade na compra desse produto. Nesse sentido, a incitação ao consumismo somado à falta de controle do consumidor, tem gerado um aumento alarmante de lixo, colocando o país na 5º colocação no ranking mundial de resíduos descartados. Logo, na contemporaneidade, o desejo artificial criado pelo mercado coloca o consumidor como passivo, absorvendo tudo o que lhe é imposto e descartando na mesma velocidade.
       Por outro lado, o Brasil tem uma produção de sólidos por habitante, semelhante à de países desenvolvidos, mas ainda tem um padrão de descarte equivalente a de países pobres, segundo mostra a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelp). Isso acontece, pois o país não consegue destinar corretamente nem a metade do que coleta, fruto ainda de políticas anacrônicas de destinação incorreta do lixo, prevalecendo, por exemplo, lixões a céu aberto e aterros clandestinos em detrimento da reciclagem e reutilização de certos produtos. Desse modo, se o país continuar descartando tanto lixo e não dá uma destinação correta, irá acabar poluindo as suas riquezas naturais, como já ocorreu com o rio Tietê que corta a cidade de São paulo. 
        Portanto, percebe-se que esse entrave será amenizado se houver ações conjuntas da sociedade, governo e empresas. Para tanto, é cabível que o Ministério da Educação promova por intermédio de palestras e aulas didáticos a questão do consumismo, com o fito dos futuros adultos sejam mais conscientes, pois não é o ato de comprar, mas consumir em excesso. Ademais, cabe ao Governo Federal em conjunto com empresas privadas, fazer a coleta dos resíduos com o objetivo de melhor reaproveitar esses materiais. Assim, a população não caminhará para a degradação vista no filme.