O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

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    Desde o final da Guerra Fria, iniciou-se,no mundo, o processo de globalização e a ascensão do capitalismo. Em virtude disso, o consumismo cresceu desenfreadamente com a disponibilidade em diversidade e quantidade de novos produtos industrializados, o que gerou a superprodução de resíduos.Nesse cenário, o Brasil, que é desestruturado na gestão dos seus lixos, não soube desenvolver sistemas que os processassem  adequadamente,  o que, atualmente, contribui para a perpetuação da poluição. É necessário, portanto, o debate entre sociedade e Estado, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
          Sobre esse viés, consolida-se a ideia de Paul Watson acerca de a inteligência ser a habilidade das espécies de viver em harmonia com o meio, visto que o consumo exagerado de manufaturados,influenciado através das mídias sociais com a divulgação de novos produtos, culmina na produção de resíduos em quantidades exageradas. Sob essa perspectiva, países como o Brasil que, segundo a ABRELPE (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) destina corretamente apenas 58% do seu lixo, acabam por multiplicarem lixões a céu aberto. Isso, por consequência, gera a contaminação do ar por gases como o metano (CH4), e dos lençóis freáticos com o chorume.
          Convém ressaltar, também, o pensamento de François Héritier no que cerne ao mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que o déficit da educação ambiental nas escolas ,ocasionado pela inexistência da obrigatoriedade de realizá-la durante a vida escolar, provoca na população, ao longo das gerações, o desinteresse pelas consequências da má gestão dos resíduos e a inexistência de pensamentos sustentáveis.Além disso, a falta do estímulo ao censo crítico, desde o ensino primário, contribui para que as campanhas publicitárias estimulem o consumismo de bens duráveis como se fossem descartáveis com maior facilidade, o que leva a superprodução de lixos extremamente tóxicos ao planeta, como os plásticos, que demoram cerca de 450 anos para se decomporem.
          Diante disso,torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução desses problemas. Cabe, portanto, aos Ministério do Meio Ambiente a criação de leis que obriguem a construção de locais para a compostagem nos municípios, que é uma forma de decompor lixos mais rápido,e de coleta seletiva nas residências,com o objetivo da reciclagem;e ao Ministério da Educação a redefinição da Base Nacional Comum Curricular, a fim de que haja o acréscimo da obrigatoriedade da educação ambiental. Com isso, o Brasil se tornará um país de adultos responsáveis e sustentáveis.