O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

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    Bela Gil, chefe de cozinha e ativista da alimentação saudável, costuma afirmar que é possível mudar o mundo através da alimentação. Contudo, os alimentos produzidos no Brasil têm cada vez mais veneno e toxinas – segundo dados da Anvisa, o uso de agrotóxicos no Brasil aumentou 190% nos últimos 10 anos, enquanto o aumento mundial foi de 93% no mesmo período. Entre as principais causas desse problema, destaca-se, sobretudo, a força política do agronegócio brasileiro e as deficiências no sistema de controle do uso de agrotóxicos no país. 
          Primeiramente, importante salientar o poder político do agronegócio no Brasil. Prova disso é que o próprio autor do Projeto de Lei 6.2999/2002 – conhecido com PL do Veneno, que visa facilitar a liberação do comércio de agrotóxicos, diminuindo o poder decisório de órgãos historicamente não ligados ao agronegócio, como o IBAMA e a Anvisa, por exemplo – não só é um dos maiores produtores de soja do país, como é o atual Ministro da Agricultura. O resultado dessa força política é que, de acordo com a ONG Humans Rights Watch, dos 10 pesticidas mais comercializados no Brasil, 04 deles são proibidos na União Europeia (EU). 
          Ademais, o sistema de controle do uso de agrotóxicos no Brasil demonstra-se muito deficiente. Esse aspecto é ilustrado pelo controle no uso do pesticida Atrazina – cujo poder de causar mutações sexuais em anfíbios, por exemplo, é amplamente reconhecido – na América do Norte e no Brasil. Enquanto nos EUA a verificação da presença de Atrazina nas águas da região de aplicação do produto é feita a cada duas semanas, segundo dados do Ministério da Saúde, a última verificação nacional da qualidade da água no Brasil ocorreu em 2014 - e nela foram verificados, tão somente, 85% dos municípios. Logo, a população brasileira está em permanente risco de contaminação uma vez que, embora a legislação seja permissiva, os controles não são efetivos. 
          Diante disso, de forma a reduzir o uso de agrotóxicos no Brasil, é imprescindível que a mídia ajude a ampliar a pressão popular contra a aprovação do PL do Veneno, informando em sua programação jornalística as perniciosas consequências da liberação facilitada de agrotóxicos tanto para os consumidores e agricultores quanto para o meio ambiente. Paralelo a isso, faz-se necessário que, com o objetivo de contrabalancear o poder político do agronegócio, o Governo Federal fortaleça as agências fiscalizadoras de pesticidas como o IBAMA – vinculado ao Ministério do Meio Ambiente – e a Anvisa – pertencente ao Ministério da Saúde – indicando para as funções de direção e chefia apenas servidores com perfil técnico. Agindo dessa maneira, alimentos brasileiros estarão contribuindo para mudar o mundo para melhor.