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    Antirrevolução Verde 
    
       O geógrafo Thomas Malthus afirmava em seus postulados que a produção alimentícia não seria suficiente para o grande crescimento populacional de sua época, o que geraria subnutrição. De encontro a isso, a Revolução Verde foi capaz de intensificar vertiginosamente a quantidade de alimentos no mercado, a medida que desenvolvia maquinários e defensivos agrícolas. Entretanto, o ônus para tal desenvolvimento foi a contaminação de toda a humanidade com esses agrotóxicos, gerando um degrado no homem e no ambiente.
       A priori, tanto o consumidor quanto o produtor brasileiros são contaminados e têm suas saúdes em risco devido ao contato com os agrotóxicos. Em comprovação a isso, 1,5 milhão de trabalhadores rurais apresentam sinais de intoxicação, de acordo com a Unicamp, o que demonstra a não fiscalização das lavouras e uma possível brecha na Lei dos Agrotóxicos de 1989, que devem ser, urgentemente, revistas em suas atuações. Dessa maneira, torna-se explícito que o avanço social e científico provocou malefícios em seu próprio criador: o homem.
       Em segundo lugar, deve-se ressaltar o desgaste ambiental causado mundialmente pelos agrotóxicos. Desses defensivos, a maioria são bio acumulativos, o que significa dizer que o organismo que os tem presentes não consegue eliminá-los, sendo, ademais, um fator causador de anomalias na formação de plantas e suas sementes, de intoxicação dos animais, de poluição dos rios e, consequentemente, de todo o ecossistema, cuja dependência da água (agora contaminada) é nítida. Nessa prerrogativa, há a violação dos protocolos internacionais contra a emissão de poluentes, como o de Kyoto, o que urge uma coerção dos órgãos mundiais.
       Percebe-se, portanto, a necessidade de medidas austeras quanto à "livre" utilização de insumos na agricultura. A fim de evitar a intoxicação dos brasileiros, seria fundamental que ONGs ambientalistas e dos direitos humanos exigissem, por meio de petições, que a Lei dos Agrotóxicos seja cumprida pela Vigilância Sanitária e pela Polícia Ambiental, além de exigir maior atuação dessas no intuito de proteger o direito do cidadão à saúde e ao meio ambiente. Além disso, seria útil que a ONU fizesse análises periódicas de lavouras em diversos países em vista de atribuir-lhes multas caso haja a violação dos protocolos internacionais, para que os níveis de poluição sejam respeitados. Nesse ínterim, é nítido que a deterioração da humanidade está sendo uma antirrevolução verde, pois, ao invés de garantir avanços na alimentação, ela está promovendo o contrário.