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    ''O importante não é viver, mas viver bem.'' Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência, no entanto, essa não é uma realidade vivenciada pelos trabalhadores rurais e consumidores que, diante da exposição ao uso dos agrotóxicos, apenas vivem. Desse modo, ao invés de aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos, o Estado acaba contribuindo para o aumento dos casos de intoxicação, entre outros fatores ocasionados pelos agrotóxicos. 
    Parafraseando Gandhi, aquilo que se faz no presente determina o futuro. Por conseguinte, é de extrema importância que o Estado direcione sua atenção ao uso indiscriminado dos agrotóxicos em alimento, todavia, a negligência estatal diante dessa questão se mostra como um dos desafios à estabilidade da redução das taxas de mortalidade e intoxicação causados por uso de pesticidas. Isso porque não há uma rígida fiscalização no campo com os trabalhadores que, muitas vezes, não conhecem os riscos que esses produtos podem trazer à saúde, tanto individual quanto coletiva. Visto isso, a realidade descrita por Platão é inviável no Brasil. 
    Ademais, a situação se agrava quando, segundo pesquisas, o Brasil ganha o terceiro lugar mundial no uso de agrotóxicos, o que confirma o uso abusivo dessas substâncias. Simultaneamente a isso, os agrotóxicos ficam em terceiro lugar como causa de intoxicação no país, no campo os trabalhadores rurais são as maiores vítimas. Conjuntamente, segundo dados do Senado, os problemas são ainda maiores como, a título de exemplo, a concentração de resíduos acima do permitido pelo Ministério da Agricultura, a destruição da fauna e flora, o câncer, e até mesmo o desaparecimento das abelhas, o que é um fator extremamente preocupante, visto que estas possuem uma parcela importante na produção de alimentos. Desse modo, o descaso estatal dificulta, ainda mais, a aproximação da realidade descrita por Platão da vivenciada por esses indivíduos. 
    Portanto, torna-se evidente a necessidade de uma aplicação de medidas que aproxime a realidade descrita por Platão. Por conseguinte, seria interessante que a mídia, o quarto poder, abordasse essa temática por meio de documentários ou novelas, para alertar a sociedade sobre os riscos que os agrotóxicos podem causar. Outrossim, seria interessante que o Estado, em parceria com a ANVISA, selecionasse agentes sanitários para realizar visitais quinzenais aos locais agrícolas, para que verifiquem o modo como os trabalhadores exercem a atividade e também promover ações educativas com base no diálogo para conscientizá-los dos elevados riscos da utilização dos agrotóxicos diante da exposição a qual se submetem. Só assim os indivíduos não apenas viverão, mas viverão bem.