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    Segundo a teoria funcionalista do antropólogo polonês Malinowviski, existe uma relação intrínseca entre a cultura de um povo e sua alimentação. Partindo disso, é bem verdade que o comportamento alimentar brasileiro é resultado direto dos processos socioculturais vivenciados ao longo da construção identitária da nação. Além disso, é válido destacar que o padrão alimentar hodierno é refletido na atual insegurança alimentícia, que ocorre através da utilização de agrotóxicos e biofertilizantes amplamente utilizados na produção agrícola, acarretando no substancial prejuízo da saúde coletiva nacional. 
      Dessa maneira, historicamente, percebe-se que a alimentação brasileira foi baseada nos principais produtos dos ciclos econômicos agrícolas que acompanharam o desenvolvimento antropológico da sociedade. Exemplificando isso, observa-se a sociedade açucareira do século XVII que baseava sua produção alimentícia visando exclusivamente o lucro em oposição ao seu valor nutritivo. Analogamente, o padrão alimentar da contemporaneidade acompanha a dinâmica de uma população centrada na máxima velocidade impressa pela vida cotidiana, com escassez de tempo, enquanto não há uma preocupação maior com a origem e qualidade dos produtos consumidos. 
      Sendo assim, urge a necessidade do debate sobre a inseguridade alimentar vivenciada. Uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o uso de agrotóxicos no Brasil cresceu cerca de 115% na última década. Dessa forma, é conveniente salientar que o uso de alimentos modificados biologicamente pode originar diversas patologias, como câncer, infertilidade, doenças renais e neurológicas. Logo, é imperativo que haja uma fiscalização estatal efetiva no setor primário, assim como, é de fundamental relevância que os efeitos do uso indiscriminado desses fertilizantes venham ao conhecimento coletivo. Diante dos argumentos supracitados, é primordial que o Governo, por meio do Ministério da Agricultura, invista na fiscalização do teor de substâncias tóxicas na agroindústria. 
     Nesse sentido, tal medida ocorreria através da abertura de concursos federais para que haja o aumento de pessoas que trabalhem no setor de vigilância, com o fito de realizarem a atividade especializada de vistoria em todo o território brasilense. Ademais deve haver a fixação de multas tributárias com isenção de recursos para estabelecimentos que produzem e comercializam alimentos geneticamente modificados. Nesse aspecto, o rendimento de tal arrecadação deve ser direcionado para a divulgação dos malefícios causados por agrotóxicos em jornais, revistas e redes sociais oficiais do Estado. Enfim, tais medidas terão a finalidade de levar ao conhecimento público as consequências do consumo de uma alimentação desequilibrada, fomentando a saúde da nação brasileira.