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    “Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, eternizou o escritor Machado de Assis em um de seus contos. Na senda dessa reflexão, é de suma importância, no Brasil hodierno, o debate sobre o uso de animais em pesquisas e testes científicos. Logo, compreender as implicações positivas e negativas da questão faz-se imprescindível para a busca de possíveis soluções. 
          Em primeiro plano, debater sobre o assunto é não negligenciar os ganhos que tais experimentos trouxeram para a sociedade. Com o desenvolvimento da biotecnologia, sobretudo a partir do século XIX, os testes em animais tornaram possível o desenvolvimento de vacinas e medicações, essenciais para os seres humanos. Entretanto, é fato que, apesar de tais ganhos, os relatos de maus tratos aos animais, cada vez mais noticiados na mídia, se tornaram alvo de atenção e mobilização nacional, principalmente após o famoso resgate de mais de cem cães da raça beagle no Instituto Royal, em São Paulo, no ano de dois mil e treze. 
          De outra parte, a ignorância do corpo social sobre o assunto é fator primordial para a perpetuação dos problemas. Apesar de serem constantes as notícias sobre maus tratos em animais para a fabricação de cosméticos e produtos de limpeza, por exemplo, a maioria das pessoas não busca informações sobre o assunto. Dessa forma, acabam contribuindo para que haja a possibilidade de maus tratos, configurado como crime na lei 11.794 na Lei de Crimes Ambientais. Dessa forma, segundo à máxima do pré-modernista Lima Barreto, “o Brasil não tem povo, tem público”, a estagnação torna-se preponderante para o sofrimento de tais bichos em detrimento das necessidades humanas. 
          Dado o exposto, cabe ao Estado, poder máximo do agregado nacional, a implantação de tecnologias que substituam os animais em testes científicos. Isso pode ser feito por meio da ampliação de investimentos financeiros em instituições de pesquisa, de forma a diminuir a possibilidade de maus tratos. Outrossim, é de sumo valor que as Organizações não Governamentais, em parceria com a sociedade civil, se mobilizem para a divulgação de produtos não testados em animais nas mídias de rádio e televisivas, de forma a convencer a população ao uso de produtos veganos. Tomadas essas medidas, enfim, a revolução por meio da mobilização, descrita por Machado de Assis, finalmente tomará forma.