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No capítulo “Carta as Icamiabas”, o anti-herói Macunaíma e protagonista do romance de mesmo nome, do escritor modernista Mario de Andrade, critica o fato de se falar uma língua e escrever em outra, isto é, utilizar a norma culta na escrita, mas não na oral. Ademais, em consonância com as características do Modernismo, durante a narrativa são exibidos falares populares e regionais para representar a diversidade tanto natural quando cultural do Brasil. Destarte, é indubitável que há diversas variantes do uso da língua, contudo, a classificação da gramática normativa como única correta gera o preconceito linguístico e consequentemente implicações. Primeiramente, é tácito que o Brasil durante toda sua história reuniu diversos povos o que acarretou na associação de diferentes vocábulos, tais como o indígena, africano e o português. A partir da Antropofagia das línguas, descrita pelo autor Oswald de Andrade como forma de enriquecer a cultura nacional, cada região tem seu modo e sotaques típicos da língua que, embora unificada e assegurada pela norma culta, permite através da comunicação tal diversidade. No entanto, em razão da valorização da cultura erudita e da linguagem culta em detrimento das outras, é comum que a sociedade discrimine qualquer outro tipo que não siga esse padrão. À vista disso, nas escolas é comum que a individualidade linguística e cultural de cada aluno seja perdida à medida que é imposta a gramática normativa até mesmo na fala. Segundo o poeta Mario Quintana, “É uma barbaridade o que a gente tem de lutar com as palavras, para obrigar as palavras a dizerem o que a gente quer”, logo, a fala, como principal forma de expressão, perde sua função devido ao preconceito linguístico, haja vista que ao se cometer uma gafe acerca da norma culta durante a comunicação o conteúdo da mesma é ignorado e a troca de informações é prejudicada. Não obstante, com o aumento do uso da tecnologia e das redes sociais e, por conseguinte o maior contato entre as variedades linguísticas, o preconceito é acentuado por causa da falta de conhecimento sobre as mesmas. Portanto, para reduzir o preconceito linguístico, cabe ao Estado em conjunto com o Ministério da Educação elaborar uma cartilha que exiba as linguagens regionais e os diferentes usos da língua. Além disso, os profissionais devem ser instruídos a valorizar a linguagem de cada aluno, mas também orientá-los sobre o momento necessário, como na escrita formal, de usar a gramática normativa. Desta maneira, a diversidade linguística do Brasil será preservada.