Enviada em: 20/08/2017

O carro não pode ser o transporte urbano mais importante    No século passado, as cidades brasileiras receberam grandes investimentos em infraestrutura para o trânsito de carros num contexto de expansão do mercado interno visto como necessário para a industrialização do país, na qual a indústria automobilística foi essencial e era considerada sinal de "modernidade". Tal visão resultou em amplos viadutos, rodovias e em poucos meios de transporte alternativos. Em virtude disso surgiram muitos problemas sociais graves, como poluição, congestionamento das vias, redução de áreas verdes, prejudicando a qualidade de vida dos cidadãos. É, portanto, urgente uma mudança da dinâmica do trânsito, dado que o transporte que é um direito social definido na Constituição.    Em contraste com outros países, os sistemas brasileiros de metrô e trens tiveram lenta e tardia instalação, o que estimula o crescimento da frota de automóveis, e até hoje os existentes não atendem as demandas de usuários. Assim, perde-se uma oportunidade de progresso, pois esses sistemas de transporte coletivo possibilitam um melhor uso do espaço urbano e são menos custosos ao meio ambiente, já que mais pessoas são transportadas que em um veículo individual. Entretanto, uma parte da população e o poder público não reconhecem isso e resistem às suas implementações e até a medidas básicas como a implantação de ciclovias, sempre acreditando que o carro é indispensável. Por trás disso tudo está essa idealização do carro como objeto de consumo vital para a ascensão social, o que, por consequência, leva outros transportes a serem entendidos como "degradantes".   Torna-se evidente, então, que é necessária a conscientização dos brasileiros sobre as causas dos problemas atuais e quais são as soluções possíveis que foram aplicadas com sucesso ao redor do mundo. Sem dúvida, o estigma dos meio alternativos de locomoção deve ser combatido. Com esses objetivos, campanhas  podem ser aplicadas em escolas e na mídia por ONGs, pelo Ministério dos Transportes e pelas secretarias municipais ou estaduais responsáveis pela área. Consequentemente, o público poderá pressionar os representantes políticos a tomarem as atitudes corretas e reverter a tendência de construção e ampliação de mais e mais rodovias, ideia que não tem trazido melhoras. Dessa forma, será possível sanar grande parte dos desafios de transporte no Brasil.