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    Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da '' modernidade líquida'', vivenciada durante o século XX. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, essa realidade imediata perpetua-se com o aumento da violência no Brasil, e em detrimento da consonância governamental inobservante à Constituição e uma nação alienada ao externo, efetiva-se como uma das maiores incógnitas do território brasileiro.
      É incontestável que os aspectos governamentais estejam entre as principais causas da coibição violenta. De acordo com o artigo 3 da constituição brasileira, explana o dever estatal de construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, seguindo os últimos dados relacionados à proteção do cidadão e à legitimidade da desigualdade racial, a ação legal encontra-se distante da efetivação haja visto que 71,5% dos indivíduos assassinados são negros ou pardos.
      Da mesma forma, evidência-se o desprezo da comunidade como impulsionador do problema. Segundo Michel de Montaigne, a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil as pessoas. No entanto, de maneira análoga ao pensamento filosófico, a atuação produtiva à sociedade encontra-se distante no país, uma vez que o fenômeno de Êxodo Rural, que ocorreu no século XX, contribuiu para uma maior concentração da população no ambiente urbano. Conquanto, a infraestrutura das cidades não acompanhou tal inchaço e, por consequência não produziu progresso suficiente que garantissem o acesso a todos empregos, saúde e educação. Dessa forma, houve marginalização dos grupos mais pobres nos bairros mais periféricos, que por serem mais precários também possuem moradias mais baratas e pouco contempladas pelo alcance da segurança pública, demonstrando uma forte desigualdade social como impulsionador da violência no brasil..
       O combate a liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da violência urbana, deve tomar-se efetiva, posto que os conflitos estatais e sociais garantem a resistência do problema. Sendo assim, o Governo Federal deve elaborar programas sociais mais amplos que energicamente invistam em levar pontos de trabalho, instituições de saúde, segurança e educação de qualidade às periferias, por meios de maior destinação de verbas para esse fim e dura fiscalização desse investimento. Desse modo, oferecendo oportunidades e proteção às pessoas, a violência urbana cairá gradativamente e repressôes das Forças Armadas se tornarão dispensáveis, construindo-se, então, um Brasil digno, inviolável e uma sociedade mais fiel aos princípios da constituição.