Violência urbana no Brasil

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    "Um bebê é baleado ainda no ventre da sua mãe e morre". Essa machete de 2017 traduz o grau de insegurança com que cariocas são obrigados a conviver. Porém, tal situação estende-se a todo brasileiro, o qual está à mercê de um Estado ineficiente em suas políticas públicas de segurança. Assim, é preciso ter dimensões das causas da violência urbana para se atingir medidas mais contundentes de combate. 
           Em primeiro plano, o processo de urbanização desorganizado do Brasil contribuiu negativamente para o caos nas cidades. Por esse viés, a aglomeração de indústrias no Sudeste somada à mecanização do campo levou um contingente populacional à procura de emprego e habitação nos centros urbanos. No entanto, a oferta foi desproporcional à demanda, o que impulsionou o desenvolvimento da favelização e de subempregos que, por sua vez, ampliaram as desigualdades sociais, um dos grandes fatores da criminalidade. Dessa maneira, reajustar a oferta de serviços nas cidades é essencial para garantir os direitos sociais previstos na Constituição Federal de 1988.
          De outra parte, o mecanismo de enfrentamento do governo também pode estar alimentando a violência. Nesse sentido, o sociólogo Max Weber explica que o Estado deve usar a força física - legitimada pela população - para manter a ordem. Entretanto, ao validar práticas truculentas de agentes de segurança, abre-se espaço para abusos de autoridade, a exemplo da agressividade utilizada pela polícia para conter manifestações de professores grevistas. Consequentemente, esse cenário violento se perpetua uma vez que as "forças do bem" são incapazes de agir racional e ponderadamente.
             Urge, portanto, a necessidade de revisão do combate atual à violência nos centros urbanos. Para reverter esse quadro, os governos estaduais devem investir em parcerias com ONGs de modo que, por meio das artes e do esporte, jovens e crianças encontrem caminhos diferentes daqueles apresentados pelo crime. Ademais, as Secretarias de Segurança Pública precisam conceber planos de ação que envolvam mais o setor de inteligência das polícias, com uso de câmeras e aparelhos sinalizadores, de forma que alcancem resultados mais rápidos e menos sangrentos. Por fim, o bom senso e a cidadania serão as grandes armas contra a violência.