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    Estado de paz e igualdade
    
    
      O Brasil é conhecido mundialmente por suas belezas naturais, sua rica cultura étnica e seu imenso potencial econômico. Infelizmente, o país não é apenas o que mostra-se nos cartões postais; a desigualdade social, a violência e a falta de recursos básicos provindos do Estado assolam nosso povo impondo grande desafio ao desenvolvimento e à qualidade de vida. Estudiosos buscam, nas estatísticas, formas de compreender o problema e encontrar uma solução plausível.
       Mais de sessenta mil homicídios em 2016, índice 30 vezes superior ao de países da Europa: informações levantadas em conjunto pelo Ipea e FBSP. Nos últimos 10 anos, 553 mil morrem de forma hostil, dos quais mais da metade eram homens de 15 à 19 anos. Outro dado ilustra as raízes do preconceito e da disparidade social ainda existentes: 71,5% das pessoas assassinadas são negras ou pardas.
        As taxas de violência são reflexo da má administração pública que falha em itens básicos como educação, saúde, emprego e segurança pública. Escolas mal estruturadas, hospitais lotados, desemprego em alta e defasagem nas policias militar e civil – baixa remuneração e formação precária provocam a corrupção e brutalidade. Muitos ainda cultivam a visão arcaica de que “bandido bom é bandido morto” – vide os casos dos massacres no Carandiru, Candelaria e Vigário Geral.
        Uma tirinha de Alexandre Beck mostra a visão de mundo de uma criança que crê na solução da selvageria com “porrada”. Há uma glamourização da agressividade, colocando-a como ferramenta multifuncional: resposta para a criminalidade, na visão elitista; mecanismo de ascensão financeira, para os de classe baixa, que muitas vezes são aliciados por traficantes à entrar nesse meio. Um símbolo é comum às duas esferas: armas de fogo; na década de 80 representavam o instrumento de 40% do total de mortes, de 2003 pra cá, 71,6%.
        Embora o investimento em programas sociais tenha tirado mais de 40 milhões de brasileiros da faixa de pobreza, as taxas de delito continuam preocupantes. Destarte, demanda-se uma ação conjunta entre Estado e comunidade: o primeiro deve investir em inteligência militar para mobilizar o crime organizado, atentar-se aos problemas dos hospitais públicos e investir maciçamente na educação; o segundo precisa cultivar uma visão de paz e mais humanista de que violência não se resolve com mais violência e que bandido bom é bandido ressocializado.