Violência urbana no Brasil

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    José Saramago, em seu livro "Ensaio sobre a cegueira", retrata a história de uma sociedade que fica à mercê de uma epidemia de cegueira, cujo cenário retrata os personagens abdicando de qualquer traço de humanidade pela sobrevivência. Analogamente, no que tange ao aumento da violência urbana no Brasil em tempos hodiernos, observa-se que tal contexto dialoga com a obra, visto que os atos violentos são espelhos da alienação e das mazelas presentes na sociedade. Nesse ínterim, existem fatores que merecem destaque como fomentadores de tal condição, tais quais: a desestruturação familiar e o descaso governamental às camadas mais carentes. 
          Em primeira análise, é sabido que a família é a primeira instituição social na qual o indivíduo terá acesso aos valores éticos e morais. Entretanto, quando desestruturada, permite que o cidadão fique à mercê das práticas corruptivas da sociedade, deixando de ser vítima para se tornar réu, haja vista que, segundo Kant, o homem é resultado da educação que recebeu ao longo da vida. Isso é influenciado, em grande parte, pelos lapsos educacionais presentes no país, visto que a escola tem o papel de libertadora social, mas termina por colaborar, indiretamente, com a paralisia dos progressos sociais. 
        Em segunda instância, somada à problemática familiar, outro fator relevante à colaboração do aumento das taxas de violência urbana é o descaso público com as camadas mais pobres do país, dado que são nos locais mais pobres onde se encontram as maiores proporções da criminalidade. Tal cenário, entretanto, possui raízes históricas e é explicitada pelo fato de que desde sempre os grupos mais pobres permaneceram em um ciclo social, sendo vítimas do descuido público. Em vista disso, parafraseando a célebre teoria de Thomas Hobbes, a intervenção estatal é necessária como forma de proteção dos cidadãos de maneira eficaz. 
         É necessário, por tanto, que medidas sejam tomadas para diminuir as taxas de violência no Brasil. Para tanto, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promova a melhora das grades curriculares da educação pública e fiscalize a aplicação das verbas destinadas à tal feito. Isso poderá ser feito por meio da promoção de oficinas, em escolas de nível básico, que debatam  as taxas de violência no país por meio do olhar sociológico e filosófico, além de tratar da importância dos valores morais para o desenvolvimento da sociedade, por meio de linguagem compreensível pelo público. Ademais, tais oficinas poderão acontecer com encontros semanais e terá o intuito de promover a cidadania, a legitimação da democracia e, consequentemente,  a atenuação das taxas criminais do país. Destarte, o Brasil poderá romper com a cegueira que rege a sociedade e poderá viver em "Ordem e Progresso", como posto na bandeira nacional.