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    A partir da década de 1970, devido a urbanização, observou-se um aumento de todos os tipos de delitos urbanos no Brasil, como roubos, estupros e sequestros. Como na música “Violência”, da banda Titãs, “A violência está em todo lugar...Violência doméstica, violência cotidiana”, já que muitas vezes a fome, a miséria, a desigualdade social e a carência de educação, tanto governamental como domiciliar foram motivos para que em 2007 fossem registradas 41.547 mortes decorrentes de crimes de homicídio doloso, roubo seguido de morte e de lesões seguidas de morte.
         Desse modo, observa-se uma cultura do medo que é resultado do abandono governamental, como visto no livro “Capitães da Areia”, os meninos foram maltratados no reformatório e não tiveram acesso à educação para que revertessem as suas precárias condições de vida, portanto foram residir em um velho trapiche. Com isso, para que sobrevivessem, eles roubam e são os precursores da violência urbana. Na medida em que reagem ao meio em que estão colocados e expostos, a criminalidade e a violência são modos alternativos para questionar a exclusão social e, ao mesmo tempo, elas são frutos da marginalização e da falta de oportunidades. Esse crescente medo está ilustrado nas charges sobre violência do autor Ivan Cabral, na qual ironiza-se as notícias trágicas como “novidades” e a necessidade do uso de um “colete” para uma proteção contra a criminalidade. 
        Embora os crimes não sejam justificados e devam ser punidos, é necessário ver o cerne, isto é, os motivos pelo qual acontecem. Analogamente, a música “O meu guri”, de Chico Buarque, revela o desamparo de uma mãe pobre com seu filho morto, a qual reconhece que “essa onda de assaltos tá um terror”, e, concomitantemente é contraditório, pois está implícito o motivo da morte do filho: a vida do crime que o possibilitou levar “Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador” a fim de minimizar a condição de “cara de fome”.
         Nesse ínterim, enquanto não houver oportunidades e acesso à educação abrangente, a violência não tende a reduzir, uma vez que acessá-la pode diminuir a desigualdade social, de acordo com a frase de Malcom X “without education you are not going anywhere”, mas também com o projeto de Paulo Freire o qual visa a transformação social através da educação. É cabível ao governo fiscalizar o cumprimento da lei Lei nº 12.796, sendo a Educação Básica obrigatória e gratuita. Logo, “É preciso que se regue pra nascer a flor da paz”, consoante a música “Paz”, de Gabriel O pensador, através da inclusão social que se obterá a flor da paz e só será possível por meio da educação para que a violência urbana se reduza.