Violência urbana no Brasil

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    Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, a obra literária "Laranja Mecânica", de Anthony Burgess, cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. Fora da ficção, a violência exacerbada presente no livro pode ser comparada à violência urbana no Brasil no século XXI: gradativamente, a desigualdade social e a negligência governamental têm potencializado os índices de violência nas grandes cidades do páis, resultando na queda da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. 
          Em primeiro lugar, destaca-se a desigualdade social como impulsionador do crescente índice de violência urbana no Brasil. De acordo com o filósofo italiano Benedetto Croce, a violência não é força, e sim fraqueza. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o foco da violência urbana está presente em regiões de vulnerabilidade socioeconômica. O aumento demográfico nas grandes cidades foi acompanhado pela marginalização de grupos mais pobres em zonas periféricas, que não possuem a mesma garantia de emprego, saúde e educação, além de serem pouco contempladas pelo alcance da segurança pública. 
          Da mesma forma, é incontestável que os aspectos governamentais também se encontram entre as principais causas do problema. Com pouco investimento no treinamento de agentes policiais, civis ou militares, estruturas precárias e baixa remuneração, o Estado falha miseravelmente no provimento das condições mínimas de trabalho para esses agentes, tendo como consequências a liderança do Brasil no ranking das polícias que mais matam – e morrem – no mundo e a intensificação de um cenário caótico para os órgãos e segurança pública. 
          Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, para evitar que crianças que moram em zonas periféricas passem a viver do crime, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, escolas de ensino básico público e de qualidade em regiões menos favorecidas, criando um caminho alternativo para a população local. Aliado a isso, o Estado deve dedicar-se ao investimento nos agentes de segurança pública na forma de salários justos, treinamento e infraestrutura.