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    Ao afirmar "tinha uma pedra no meio do caminho", o modernista Drummond expôs conotativamente os percalços existentes na sociedade. Analogamente, a violência urbana pode ser simbolizada por essa "pedra" no contexto contemporâneo, o que, por conseguinte, traz uma afronta aos princípios básicos instituídos na Constituição Federal vigente, entre estes, segurança e justiça.
      Em primeira análise, é indispensável deixar de relacionar essa problemática com a ineficiência de políticas públicas que diminuam as desigualdades sociais. Nessa perspectiva, é notório enfatizar a visão do sociólogo Pierre Bourdieu, o qual traz como crítica a escola como geradora de desigualdades, à medida que a baixa qualidade nesse setor intensifica essa realidade. Assim, fomenta-se um cenário de exclusão, no qual, na maioria das vezes, muitos dos marginalizados são aliciados pelo mundo do crime e droga, gerando, consequentemente, a instabilidade social, em um país cujo lema democrático é "igualdade"; tal essa, não passando de uma utopia na vida de muitos brasileiros.
      Ainda nessa análise, a violência urbana é acentuada pela impunidade. Desestabiliza-se o ideal previsto pelo filósofo Thomas Hobbes de que o Estado serviria para conter o estado de natureza intrínseca à humanidade, tal qual premeditado pela violência; "o homem é o lobo do próprio homem". Dessa maneira, insegurança social, criminalidade, superlotação dos presídios e violência com as próprias mãos refletem a face mais evidente dessa situação. Assim, evidencia-se a nítida crise dos requisitos que tangem à garantia dos direitos humanos e expõe-se o retrocesso de uma conjuntura de segurança baseada na política de aprisionamento em detrimento da principal causa do problema (desigualdades sociais).
      Diante dessas circunstâncias, a fim de concretizar os princípios de segurança e justiça, e diminuir a violência urbana, urge, portanto, o redirecionamento de políticas publicas, principalmente, para a sociedade marginalizada. Para isso, o Estado em parceria com o Ministério da Educação devem investir em uma educação qualificada, na qual, destine projetos capazes de diminuir as chances de crianças e jovens ser aliciados do mundo da droga e crime. Assim, esporte, dança, professores qualificados, cultura, salas climatizadas são fundamentais no alcance desses objetivos, com o intuito de descobrir novos talentos e, por conseguinte, diminuir as desigualdades sociais. Paralelamente, como medida a curto prazo, necessita-se de maiores policiamentos nas ruas, vias urbanas iluminadas  e que o Poder Judiciário puna os infratores dessa desordem. Tais atos têm o intuito de trazer mais segurança e retirar essa "pedra" do meio do caminho da vida de tantos cidadãos brasileiros, além de validar os direitos existentes constitucionalmente e forma justa e igualitária.