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    O documentário “Notícias de uma Guerra Particular”, relata a crise de segurança pública vivida pelo Rio de Janeiro nos anos 90 e o crescente envolvimento de jovens no tráfico de drogas. Nesse sentido, a narrativa foca no combate entre policiais e traficantes, além de expor os impactos gerados aos moradores que não estão envolvidos no conflito, dentre eles: constantes assaltos, opressões e homicídios. Fora da ficção, esse cenário de violência urbana também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um problema governamental, visto que – seja pela negligencia estatal, ora pela desigualdade social existente no país – impede o bem-estar popular e consolida um sentimento de insegurança nos cidadãos. 
        Em princípio, cabe analisar o papel negligente do governo sob a visão do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Analogamente, no momento que o criminoso identifica o papel omisso do Poder Público – o qual efetua baixos investimentos em medidas socioeducativas nos presídios e propõem poucos projetos de policiamento em áreas periféricas –, o mesmo acaba por agir com mais vigor nas práticas ilícitas e prossegue nesse meio agressivo. Por consequência, observa-se, cada vez mais, a falha estatal em conter a criminalidade, o que amplia a descrença e insatisfação popular sobre a segurança pública.
        Ademais, além da negligencia estatal, a desigualdade social também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo polonês Zygmunt Bauman. Segundo o autor, as pessoas seguem a correnteza, obedecendo seus costumes diários e previamente impossibilitadas de mudá-los. Dessa forma, a população menos favorecida, que não tem oportunidades de moradia, profissionalização e educação qualificada, segue a fluidez de atos delinquentes apenas para conseguir sua forma de sustento e prestígio no meio social. Logo, tal disparidade em necessidades básicas facilita que indivíduos atuem no crime e impede que o Brasil seja um país de direitos igualitários.
          Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, os governos estaduais e municipais, por meio de verbas públicas, devem promover melhorias na segurança popular, de modo a aumentar o efetivo de policiais em regiões periféricas e garantir, com trabalhos pedagógicos, medidas socioeducativas nas penitenciárias. Desse forma, será possível conter as práticas delinquentes e reconstruir o bem-estar dos cidadãos. Além disso, ONGs de Assistência Social, com apoio do Ministério da Educação, devem oferecer projetos comunitários de combate à desigualdade, a fim de assegurar cursos profissionalizantes para a população desfavorecida e inibir aspectos violentos no meio urbano, assim como os do documentário “Notícias de uma Guerra Particular”.