Violência urbana no Brasil

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    Na visão do filósofo inglês John Locke, cabe ao Estado a proteção a todos os indivíduos, bem como a garantia à vida, à liberdade e à propriedade, que são direitos inalienáveis. Contudo, observa-se que a recorrência da violência urbana no Brasil evidencia que tais prerrogativas não são respeitadas, isso se deve à falta de atitude do governo e às condições ruins ofertadas ao serviço policial, que demonstram a necessidade de mudanças.
    Como primeira constatação, vale pontuar que a persistência da Violência Urbana no país é intrinsecamente fomentada pela incapacidade das esferas públicas de exercerem seu poder simbólico e a garantia dos direitos constitucionais. Esse fato decorre da histórica inabilidade estatal em promover medidas protetivas às vitimas da violência e da exclusão social, tais quais, a criação de canais de denúncia e de locais de acolhimento, o que diretamente contribui para a perpetuação da problemática. Nesse contexto, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Dessa maneira, a imprescindibilidade de superação desse dilema configura-se como importante desafio político da pós-modernidade.
    Ademais, em um segundo plano, as condições inapropriadas oferecidas ao serviço policial possuem estreita relação com o aumento da violência urbana. Isso porque os salários baixos e o preparo ruim dado aos policiais leva a dificuldade em garantir-se a segurança pública no Brasil. A incapacidade de a polícia lidar com as mais variadas mazelas sociais e etnias presentes na nação brasileira, devido ao despreparo, levou-a, em 2016, a ser a que mais matou e mais morreu do mundo, de acordo com pesquisa divulgada pelo G1. Logo, mudanças profundas devem ser tomadas para a ruptura desse alarmante cenário.
    Infere-se, portanto, que a falta de atitude do governo e as condições ruins ofertadas ao serviço policial são importantes vetores da problemática. Destarte, é imperativo que o governo, em parceria com as prefeituras municipais, implemente locais de acolhimento nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada cidade, tendo como objetivo dar apoio para as vítimas da violência e da exclusão social e, permitindo, dessa forma, uma ação eficaz no tratamento desse panorama. Além disso, é dever também dos governos, nacional e estaduais, debaterem e criarem medidas para a melhoria do policiamento no Brasil, como o aumento dos salários das forças policiais e a reestruturação do treinamento dado a elas. Agindo assim, o Estado idealizado por Locke será real e a construção de uma sociedade paz seja um valor substancial será real, não um ideal ou uma utopia.