O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

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    Concebido pela atual Constituição brasileira, o direito à saúde e bem estar deve ser ofertado para todos, independente de fatores econômicos. Entretanto, o idealismo proposto pela legislação não se aplica na realidade. Isto porque, fatores como, o incentivo ao consumo de alimentos ultraprocessados, em conjunto com a falta de informação sobre concepções nutricionais, exercem aos brasileiros uma mudança gradativa no padrão alimentar, obtendo como principal consequência, o aumento de doenças. 
          Em uma primeira análise, o período pós segunda guerra mundial, trouxe, dentre outras inovações tecnológicas, o chamado "fast food", um tipo de comida ultraprocessada, de rápido preparo e consumo, direcionada para o padrão de vida acelerado da época. Entretanto, com a publicidade, a disseminação dos fast foods intrínsecos a slogans de felicidade, como "amo muito tudo isso", tratam de maneira atrativa uma alimentação com baixos valores nutricionais. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar, deste modo, a adoção dos alimentos ultraprocessados como cultura de massa, tendem a ser transmitidos de indivíduos para indivíduos, até alcançar grande parte da sociedade, e como consequência, o aumento das doenças relacionadas a má alimentação. Segundo o Instituto de Desenvolvimento do Exterior, mais de 56% dos adultos latino-americanos estão acima do peso ou obesos, tornando evidente o crescimento dos industrializados.       Outrossim, cabe ressaltar, em segundo plano, o pouco conhecimento sobre alimentação saudável por parte da população, o que corrobora para a persistência da preferência por um cardápio calórico e sem nutrientes. Segundo o pedagogo Paulo Freire, o conhecimento é de grande importância para a população se tornar ativa em suas escolhas e reconhecer seus direitos. Desta forma, o conhecimento sobre a alimentação é imprescindível para a adoção de práticas menos nocivas. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a obesidade mata 2,8 mil adultos por ano, tornando necessário que medidas sejam tomadas a fim de reverter este processo. 
          Portanto, é indubitável a necessidade de ações para interferir o quadro abordado. Sendo cabível ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, criar um aplicativo gratuito que ilustre os malefícios dos alimentos ultraprocessados, indicando as doenças relacionadas a má alimentação e dicas de profissionais nutricionistas sobre preparos de comidas mais saudáveis, assim, os cidadãos serão informados, de maneira direta, sobre os riscos escondidos nos alimentos ultraprocessados e terão mais informações sobre um cardápio de qualidade. Deste modo, os brasileiros tenderão a adotar práticas mais saudáveis no âmbito da alimentação, além de coibir este grave entrave que assola o país.