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    Deflagrada pela Polícia Federal em 2017, a Operação Carne Fraca representou um marco na política alimentar brasileira. Sob essa ótica, tal ação policial autuou alguns dos maiores frigoríficos do país, que segundo denúncias, vendiam alimentos processados - como linguiças, salsichas, e enlatados - vencidos e fortemente adulterados com substâncias químicas proibidas. Nesse sentido, em uma nação com um padrão alimentar cada vez mais americanizado, é necessário o debate sobre a problemática do impacto dos ultraprocessados na mesa dos brasileiros. Dessa forma, é lícito afirmar que a ineficiência governamental, além do ritmo de vida cada vez mais veloz do século XXI, contribui para os problemas decorrentes do consumo de alimentos dessa natureza. 
         Primeiramente, evidencia-se, por parte do Estado, uma ausência de políticas públicas que fiscalizem e estabeleçam limites à atuação e procedimentos de empresas do setor alimentício. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exerce na administração estatal brasileira. Instituída para ser um órgão de criação, regulação e manutenção de práticas seguras de fabricação de alimentos, tal entidade pública é limitada pelo constante ''lobby'' que organizações do ramo alimentar impõem ao Legislativo e Executivo nacional. Consequentemente, a população é impactada por essas práticas de ética questionável, que se traduzem em crimes como os constatados pela Operação Carne Fraca. Logo, é substancial a mudança desse quadro nocivo.
    
         Outrossim, o cotidiano veloz do século XXI, que muitas vezes não possibilita tempo para preparar refeições saudáveis, também é parte do problema, no que concerne ao aumento da demanda por ultraprocessados. Por esse ângulo, é comum ver famílias, motivadas pela falta de tempo, consumirem cada vez mais opções de fácil preparo, como hambúrgueres e empanados. Em contrapartida a essa tendência perigosa à saúde, surgiram na mídia personalidades que invocam uma alimentação saudável como mecanismo de prevenção da saúde. É o caso da chef Bela Gil, que ensina receitas com vegetais na internet. Nota-se, assim, a necessidade de incentivar a redução do consumo de ultraprocessados.
    
         Infere-se, portanto que os ultraprocessados devem ser regulados e desincentivados. Posto isso, o Ministério da Saúde deve, por meio de portaria específica, oferecer autonomia administrativa e investigativa à ANVISA, a fim de possibilitar a independência dessa entidade e blindá-la contra a interferência, na política, de empresas alimentícias. Ademais, esse ministério deve ainda, mediante campanhas na mídia televisiva e na web, alertar os brasileiros a respeito dos riscos do consumo excessivo de alimentos dessa natureza. Tais campanhas devem objetivar, principalmente, a redução da presença dos ultraprocessados na mesa do brasileiro. Assim, haverá um padrão alimentar saudável.