O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

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    Intimamente relacionado às transformações sociais, o “Guia alimentar para a população”, publicado inicialmente em 2006, apresentou as primeiras diretrizes alimentares para a sociedade. Entretanto, a materialização dessas recomendações revela-se fragilizada na realidade brasileira, tendo em vista o aumento expressivo de preferências por alimentos ultraprocessados, o que configura-se um dos principais empecilhos na qualidade de vida dos indivíduos, bem como na deterioração do sistema de saúde pública do Brasil. 
           É importante considerar, de início, a imposição dos produtos ultraprocessados como fator para os agravos no bem-estar da população. A esse respeito, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o ser humano, mais que formador da sociedade é um produto dela. Sob esse prisma, o sujeito, inserido em um estilo de vida catalisado pela propaganda de alimentos calóricos, bem como pela necessidade de praticidade, acaba, por vezes, adaptando suas refeições a esse panorama, o que, dessa maneira, repercute na emergência de produtos não condizentes com um valor nutricional, como o consumo Fast-food. Com efeito, tal transição alimentar repercute diretamente no surgimento de patologias como a obesidade e, consequentemente, na diminuição da qualidade de vida da população. 
          Outrossim, é factível que os novos padrões alimentares caracterizam-se como campos férteis para a deterioração do sistema de saúde brasileiro. Nesse sentido, a materialização de um tecido social de forte expressividade de doenças advindas, muitas vezes, de alimentações errôneas, acaba por sobrecarregar o ambiente público de saúde, tendo em vista o aumento da necessidade de serviços e hospitalizações resultantes das complicações de enfermidades evitáveis, como a hipertensão. Essa realidade pode ser concretizada pelo levantamento do Ministério da Saúde no qual se evidenciou que mais da metade da população está acima do peso, panorama esse, por exemplo, que reflete, a médio e longo prazo, na fragilidade econômica e estrutural dos ambientes de saúde no Brasil.
          É imperioso, portanto, mecanismos energéticos no embate desse cenário. Assim, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares priorizar um ambiente em que se elucide uma percepção mais holística quanto à necessidade de equilíbrio alimentar. Isso pode ser concretizado por intermédio de associações com universidades que contemplam áreas da saúde, de modo que, a partir de oficinas com agentes nutricionais e trabalhos interdisciplinares adaptados à compreensão de cada série, seja viável, já na socialização primária, uma compreensão mais crítica quanto à flexibilidade na qualidade de vida. Com efeito, poder-se-á, gradativamente, alterar a expressividade de práticas alimentares desequilibradas e preservar o baluarte  da vida: a saúde.