O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

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    Apenas teoria
          À mercê do cenário desenvolvimentista do século XVIII, o movimento iluminista teorizou um futuro cujo bem estar social dos indivíduos seria um pilar firmado face aos avanços técnicos. No entanto, o moderno contexto brasileiro, marcado pela difusão e consumo exacerbado de alimentos ultraprocessados, culmina em impactos negativos ou irreversíveis, principalmente à sociedade civil — pondo em xeque, assim, princípios democráticos estabelecidos no século das luzes. Urge, logo, a necessidade de um olhar maior de cautela com o ramo alimentício. 
       Em primeiro plano, é de suma importância ressaltar que a disseminação de substâncias multiprocessadas constrói um cenário paradoxal. Por um lado, a própria Carta Magna brasileira garante aos cidadãos o direito à saúde, como alicerce primário a ser preservado; por outro, há a indiscutível multiplicação de artefatos industriais nos supermercados do país — nos quais, mediante a um olhar biológico, são repletos de substâncias nocivas à saúde, como a presença do colesterol ruim (LDL) e gordura hidrogenada. Nesse viés, torna-se antitético que, mesmo jurador fiel à sua constituição, o maior país da América Latina ainda seja negligente com a dupla saúde-alimento. 
         Ademais, sob o ponto de vista social, os impactos causados pelas iguarias processadas causam invisibilidade e desinformação aos consumidores. A esse respeito, destacam-se os rótulos de produtos industrializados que, em geral, expõem substâncias e métodos de preparo aos quais fogem do repertório linguístico e sociocultural da maior parte dos indivíduos. Dessa forma, frente a essa esfera pautada pela marginalização do conhecimento dos consumidores, é minimizado um princípio que, para o filósofo René Descartes, é indispensável para o desenvolvimento da transparência em um meio social: o ceticismo.
            Impende, pois, a adoção de condutas nas quais priorizem criar e preservar a saúde dos milhões de brasileiros face à alimentação. Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde orientar os cidadãos a optarem os alimentos naturais aos ultraprocessados, por meio de campanhas apoiadas pela mídia televisiva, com o fito de haver desestimulo de industrializados. Às empresas de supermercados, cabe desenvolver e aprimorar aplicativos de celulares que ''traduzam'', para a linguagem popular, as substâncias utilizadas nos produtos, de modo a tornar mais claro aos consumidores os artefatos a serem usufruídos e suas consequências metabólicas. Com efeito, sob a aplicação dessas medidas, construir-se-ia uma sociedade de consumo mais consciente, saudável e que faria jus às premissas illuministas, antes, apenas teoria.